{"id":2142,"date":"2025-08-03T18:12:00","date_gmt":"2025-08-03T21:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8080\/?p=2142"},"modified":"2026-03-09T14:50:03","modified_gmt":"2026-03-09T17:50:03","slug":"conjunto-realiza-oficina-sobre-o-trabalho-de-assistentes-sociais-com-os-povos-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cress-ba.org.br\/?p=2142","title":{"rendered":"Conjunto realiza Oficina sobre o trabalho de assistentes sociais com os povos ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p>Terminou no \u00faltimo s\u00e1bado (2 de agosto), na Universidade Federal de Roraima (UFRR), a Oficina de Servi\u00e7o Social sobre o trabalho de assistentes sociais com os povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A atividade, realizada pelo CFESS e CRESS-RR, contou com a participa\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas assistentes sociais e representantes das gest\u00f5es e da base dos CRESS de todo o pa\u00eds, bem como integrantes da Articula\u00e7\u00e3o Brasileira Servi\u00e7o Social e Povos Ind\u00edgenas, do Grupo de Pesquisa Wayrakuna e da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos e Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Nordeste, Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo (Apoinme).<\/p>\n<p>A oficina come\u00e7ou na sexta (1\u00ba de agosto), com uma acolhida realizada por ind\u00edgenas assistentes sociais de diferentes povos, que constru\u00edram um mural s\u00edmbolos representando o servi\u00e7o social e a luta ind\u00edgena por todo o Brasil.<\/p>\n<p>Em seguida, na mesa de abertura, a presidenta do CRESS-RR, Laurinete Silva, ressaltou a relev\u00e2ncia de o estado de Roraima receber pela primeira vez uma atividade nacional do Conjunto. \u201cSomos o \u00faltimo regional a ser criado, que est\u00e1 em processo de consolida\u00e7\u00e3o, em um estado que tamb\u00e9m sofre com a exclus\u00e3o socioterritorial dos povos ind\u00edgenas e com a emerg\u00eancia nacional dos povos Yanomami\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>A conselheira do CFESS, Mirla Cisne, fez um breve resgate de a\u00e7\u00f5es e do debate sobre o Servi\u00e7o Social e os povos ind\u00edgenas no Conjunto e ressaltou a natureza da atividade que foi deliberada no 50\u00ba Encontro Nacional.<\/p>\n<p>\u201cTemos os primeiros registros desse debate em 2012 e, desde ent\u00e3o, o Conjunto tem buscado ampliar e aprofundar a tem\u00e1tica. Em 2021, com as comemora\u00e7\u00f5es do 15 de maio, a gente intensificou as a\u00e7\u00f5es. Nossa inten\u00e7\u00e3o com essa oficina \u00e9, portanto, pensar sobre o trabalho da nossa categoria junto aos povos ind\u00edgenas, de como o servi\u00e7o social pode contribuir para enfrentar viol\u00eancias, viver e compreender as particularidades dessas popula\u00e7\u00f5es para garantia de direitos\u201d, complementou.<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1logo sobre povos ind\u00edgenas&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>A mesa composta por Eliz\u00e2ngela Pankararu (Apoinme) e Raquel Patax\u00f3 (Articula\u00e7\u00e3o) fez uma an\u00e1lise de conjuntura da quest\u00e3o ind\u00edgena, considerando especialmente a quest\u00e3o \u00e9tnica. Eliz Pankararu trouxe dados atualizados apontando que a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena ainda sofre com viola\u00e7\u00f5es de direitos, racismo e exclus\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cCom base em dados recentes (como o Censo de 2022), destaca-se a significativa presen\u00e7a ind\u00edgena em \u00e1reas urbanas e fora das terras oficialmente delimitadas, o que exige do Servi\u00e7o Social um olhar atento e comprometido com a diversidade e com a luta contra o apagamento desses povos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>J\u00e1 Raquel Patax\u00f3 alertou para o conservadorismo e preconceitos que ainda reverberam dentro do Servi\u00e7o Social e como isso atinge diretamente ind\u00edgenas assistentes sociais e os povos que a categoria atende. \u201cPrecisamos de atendimento de profissionais que reconhe\u00e7am nossa identidade ind\u00edgena, nossa hist\u00f3ria\u201d, refor\u00e7a. &nbsp;<\/p>\n<p>Nesse sentido, Patax\u00f3 ressaltou a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o profissional e de como isso pode impactar em futuros atendimentos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. \u201cNesse atendimento, estamos separando um tempo para conviver e vivenciar o cotidiano desses povos? Isso deve ser constru\u00eddo diariamente\u201d.<\/p>\n<p>No debate, diferentes falas destacaram a neglig\u00eancia estrutural do Estado no atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas nos locais mais remotos, e a import\u00e2ncia do reconhecimento dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, inclusive em contextos urbanos, onde h\u00e1 invisibiliza\u00e7\u00e3o e apagamento.<\/p>\n<p>Nessa ideia, foi ressaltada a necessidade de se desconstruir preconceitos, como de que toda pessoa ind\u00edgena deve estar \u201caldeada\u201d ou \u201cconfinada\u201d, tendo em vista que a concep\u00e7\u00e3o de \u201cterrit\u00f3rio\u201d ind\u00edgena \u00e9 muito mais ampla.<\/p>\n<p>Por isso, ficou n\u00edtido o papel \u00e9tico de cada assistente social frente \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o cotidiana de viol\u00eancias institucionais, alertando para que n\u00e3o haja distanciamento e a desresponsabiliza\u00e7\u00e3o de profissionais ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><strong>Trabalhos em Grupo e s\u00edntese para novas a\u00e7\u00f5es do Conjunto<\/strong><\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do dia 2 de agosto, foram separados quatro grupos de trabalho para pensar quest\u00f5es que envolvem a atua\u00e7\u00e3o da categoria com povos ind\u00edgenas: na sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o (grupo 1); previd\u00eancia social e assist\u00eancia social (grupo 2); na rela\u00e7\u00e3o com migra\u00e7\u00f5es e ref\u00fagios no contexto urbano (grupo 3); a partir das quest\u00f5es de racismo, identidade, terra e territ\u00f3rio (grupo 4).<\/p>\n<p>Assim, situa\u00e7\u00f5es concretas de atendimento, bem como a estrutura dos servi\u00e7os e as pr\u00f3prias legisla\u00e7\u00f5es, perpassaram os di\u00e1logos dos grupos. Que tipo de viola\u00e7\u00f5es de direitos e resist\u00eancias ind\u00edgenas \u00e9 poss\u00edvel identificar? Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de acesso dos povos ind\u00edgenas ao conjunto de pol\u00edticas sociais ofertadas nos munic\u00edpios? Quais as principais barreiras para o acesso dos povos ind\u00edgenas aos seus direitos? Como efetivar o acesso a direitos?<\/p>\n<p>Uma das coisas que ficou n\u00edtida \u00e9 que o Servi\u00e7o Social possui arcabou\u00e7o te\u00f3rico-metodol\u00f3gico e compromisso \u00e9tico-pol\u00edtico para o trabalho profissional junto aos povos ind\u00edgenas. Entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio construir instrumentos de trabalho que acolham as especificidades e experi\u00eancias no atendimento aos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A s\u00edntese dos trabalhos dos grupos contribuir\u00e1 para novas a\u00e7\u00f5es do CFESS no sentido de orientar a categoria sobre o trabalho de assistentes sociais com os povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o &nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Danila Guimar\u00e3es, assistente social de base que atua no apoio t\u00e9cnico em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade no Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena Bahia, avaliou positivamente a oficina. &nbsp;\u201cUma oportunidade de fazermos uma interlocu\u00e7\u00e3o sobre o nosso fazer profissional nos territ\u00f3rios em que atuamos, de ouvir diferentes experi\u00eancias de outros estados, de pensar essa discuss\u00e3o de uma forma integrada, reconhecendo a potencialidade da profiss\u00e3o junto a esses povos\u201d.<\/p>\n<p>Dayana Bednarczuk, assistente social indigenista de Roraima, destacou que para al\u00e9m de um espa\u00e7o de troca, foi um espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o. \u201cOs elementos que discutimos na Oficina v\u00e3o subsidiar uma constru\u00e7\u00e3o norteadora sobre formas de trabalho com os povos ind\u00edgenas, tirando profissionais (ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas) de um lugar de solid\u00e3o ou fragmenta\u00e7\u00e3o sobre essa atua\u00e7\u00e3o profissional\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Eliz\u00e2ngela Pankararu, ind\u00edgena assistente social e integrante da Articula\u00e7\u00e3o Brasileira Servi\u00e7o Social e Povos Ind\u00edgenas, afirmou que \u201cfazer esse debate significa aprimorar a oferta desses servi\u00e7os e qualificar nosso trabalho nos espa\u00e7os s\u00f3cio-ocupacionais e nas pol\u00edticas p\u00fablicas onde atuamos, al\u00e9m de defendermos a luta contra o racismo contra os povos ind\u00edgenas e defendermos o direito \u00e0 terra e ao territ\u00f3rio, e aos povos que vivem em situa\u00e7\u00e3o de migra\u00e7\u00e3o ou ref\u00fagio\u201d.<\/p>\n<p>Para fechar, a conselheira do CFESS Iara Fraga enfatizou: \u201ca Oficina materializa um princ\u00edpio fundamental para nossa categoria, que \u00e9 a democracia. Sa\u00edmos com a tarefa de continuar impulsionando e incidindo no trabalho de assistentes sociais com os povos ind\u00edgenas e de fortalecer a garantia da justi\u00e7a social para os povos ind\u00edgenas do nosso pa\u00eds!\u201d.<\/p>\n<p>Ao final, participantes bradaram o grito \u201cdemarca\u00e7\u00e3o j\u00e1\u201d, refor\u00e7ando uma das principais lutas dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terminou no \u00faltimo s\u00e1bado (2 de agosto), na Universidade Federal de Roraima (UFRR), a Oficina de Servi\u00e7o Social sobre o trabalho de assistentes sociais com os povos ind\u00edgenas. A atividade, realizada pelo CFESS e CRESS-RR, contou com a participa\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas assistentes sociais e representantes das gest\u00f5es e da base dos CRESS de todo o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2143,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-2142","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2142"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2142\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3721,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2142\/revisions\/3721"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}