{"id":3445,"date":"2025-08-04T14:30:00","date_gmt":"2025-08-04T14:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8090\/?p=3445"},"modified":"2025-08-04T14:30:00","modified_gmt":"2025-08-04T14:30:00","slug":"conjunto-realiza-oficina-sobre-o-trabalho-de-assistentes-sociais-com-os-povos-indigenas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cress-ba.org.br\/?p=3445","title":{"rendered":"Conjunto realiza Oficina sobre o trabalho de assistentes sociais com os povos ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p>Terminou no &uacute;ltimo s&aacute;bado (2 de agosto), na Universidade Federal de Roraima (UFRR), a Oficina de Servi&ccedil;o Social sobre o trabalho de assistentes sociais com os povos ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>A atividade, realizada pelo CFESS e CRESS-RR, contou com a participa&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas assistentes sociais e representantes das gest&otilde;es e da base dos CRESS de todo o pa&iacute;s, bem como integrantes da Articula&ccedil;&atilde;o Brasileira Servi&ccedil;o Social e Povos Ind&iacute;genas, do Grupo de Pesquisa Wayrakuna e da Articula&ccedil;&atilde;o dos Povos e Organiza&ccedil;&otilde;es Ind&iacute;genas do Nordeste, Minas Gerais e Esp&iacute;rito Santo (Apoinme).<\/p>\n<p>A oficina come&ccedil;ou na sexta (1&ordm; de agosto), com uma acolhida realizada por ind&iacute;genas assistentes sociais de diferentes povos, que constru&iacute;ram um mural s&iacute;mbolos representando o servi&ccedil;o social e a luta ind&iacute;gena por todo o Brasil.<\/p>\n<p>Em seguida, na mesa de abertura, a presidenta do CRESS-RR, Laurinete Silva, ressaltou a relev&acirc;ncia de o estado de Roraima receber pela primeira vez uma atividade nacional do Conjunto. &ldquo;Somos o &uacute;ltimo regional a ser criado, que est&aacute; em processo de consolida&ccedil;&atilde;o, em um estado que tamb&eacute;m sofre com a exclus&atilde;o socioterritorial dos povos ind&iacute;genas e com a emerg&ecirc;ncia nacional dos povos Yanomami&rdquo;, enfatizou.<\/p>\n<p>A conselheira do CFESS, Mirla Cisne, fez um breve resgate de a&ccedil;&otilde;es e do debate sobre o Servi&ccedil;o Social e os povos ind&iacute;genas no Conjunto e ressaltou a natureza da atividade que foi deliberada no 50&ordm; Encontro Nacional.<\/p>\n<p>&ldquo;Temos os primeiros registros desse debate em 2012 e, desde ent&atilde;o, o Conjunto tem buscado ampliar e aprofundar a tem&aacute;tica. Em 2021, com as comemora&ccedil;&otilde;es do 15 de maio, a gente intensificou as a&ccedil;&otilde;es. Nossa inten&ccedil;&atilde;o com essa oficina &eacute;, portanto, pensar sobre o trabalho da nossa categoria junto aos povos ind&iacute;genas, de como o servi&ccedil;o social pode contribuir para enfrentar viol&ecirc;ncias, viver e compreender as particularidades dessas popula&ccedil;&otilde;es para garantia de direitos&rdquo;, complementou.<\/p>\n<p><strong>Di&aacute;logo sobre povos ind&iacute;genas&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>A mesa composta por Eliz&acirc;ngela Pankararu (Apoinme) e Raquel Patax&oacute; (Articula&ccedil;&atilde;o) fez uma an&aacute;lise de conjuntura da quest&atilde;o ind&iacute;gena, considerando especialmente a quest&atilde;o &eacute;tnica. Eliz Pankararu trouxe dados atualizados apontando que a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena ainda sofre com viola&ccedil;&otilde;es de direitos, racismo e exclus&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>&ldquo;Com base em dados recentes (como o Censo de 2022), destaca-se a significativa presen&ccedil;a ind&iacute;gena em &aacute;reas urbanas e fora das terras oficialmente delimitadas, o que exige do Servi&ccedil;o Social um olhar atento e comprometido com a diversidade e com a luta contra o apagamento desses povos&rdquo;, destacou.<\/p>\n<p>J&aacute; Raquel Patax&oacute; alertou para o conservadorismo e preconceitos que ainda reverberam dentro do Servi&ccedil;o Social e como isso atinge diretamente ind&iacute;genas assistentes sociais e os povos que a categoria atende. &ldquo;Precisamos de atendimento de profissionais que reconhe&ccedil;am nossa identidade ind&iacute;gena, nossa hist&oacute;ria&rdquo;, refor&ccedil;a. &nbsp;<\/p>\n<p>Nesse sentido, Patax&oacute; ressaltou a import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o profissional e de como isso pode impactar em futuros atendimentos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena. &ldquo;Nesse atendimento, estamos separando um tempo para conviver e vivenciar o cotidiano desses povos? Isso deve ser constru&iacute;do diariamente&rdquo;.<\/p>\n<p>No debate, diferentes falas destacaram a neglig&ecirc;ncia estrutural do Estado no atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena, a aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nos locais mais remotos, e a import&acirc;ncia do reconhecimento dos territ&oacute;rios ind&iacute;genas, inclusive em contextos urbanos, onde h&aacute; invisibiliza&ccedil;&atilde;o e apagamento.<\/p>\n<p>Nessa ideia, foi ressaltada a necessidade de se desconstruir preconceitos, como de que toda pessoa ind&iacute;gena deve estar &ldquo;aldeada&rdquo; ou &ldquo;confinada&rdquo;, tendo em vista que a concep&ccedil;&atilde;o de &ldquo;territ&oacute;rio&rdquo; ind&iacute;gena &eacute; muito mais ampla.<\/p>\n<p>Por isso, ficou n&iacute;tido o papel &eacute;tico de cada assistente social frente &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o cotidiana de viol&ecirc;ncias institucionais, alertando para que n&atilde;o haja distanciamento e a desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o de profissionais ind&iacute;genas e n&atilde;o ind&iacute;genas.<\/p>\n<p><strong>Trabalhos em Grupo e s&iacute;ntese para novas a&ccedil;&otilde;es do Conjunto<\/strong><\/p>\n<p>Na manh&atilde; do dia 2 de agosto, foram separados quatro grupos de trabalho para pensar quest&otilde;es que envolvem a atua&ccedil;&atilde;o da categoria com povos ind&iacute;genas: na sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o (grupo 1); previd&ecirc;ncia social e assist&ecirc;ncia social (grupo 2); na rela&ccedil;&atilde;o com migra&ccedil;&otilde;es e ref&uacute;gios no contexto urbano (grupo 3); a partir das quest&otilde;es de racismo, identidade, terra e territ&oacute;rio (grupo 4).<\/p>\n<p>Assim, situa&ccedil;&otilde;es concretas de atendimento, bem como a estrutura dos servi&ccedil;os e as pr&oacute;prias legisla&ccedil;&otilde;es, perpassaram os di&aacute;logos dos grupos. Que tipo de viola&ccedil;&otilde;es de direitos e resist&ecirc;ncias ind&iacute;genas &eacute; poss&iacute;vel identificar? Quais s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es de acesso dos povos ind&iacute;genas ao conjunto de pol&iacute;ticas sociais ofertadas nos munic&iacute;pios? Quais as principais barreiras para o acesso dos povos ind&iacute;genas aos seus direitos? Como efetivar o acesso a direitos?<\/p>\n<p>Uma das coisas que ficou n&iacute;tida &eacute; que o Servi&ccedil;o Social possui arcabou&ccedil;o te&oacute;rico-metodol&oacute;gico e compromisso &eacute;tico-pol&iacute;tico para o trabalho profissional junto aos povos ind&iacute;genas. Entretanto, &eacute; necess&aacute;rio construir instrumentos de trabalho que acolham as especificidades e experi&ecirc;ncias no atendimento aos povos ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>A s&iacute;ntese dos trabalhos dos grupos contribuir&aacute; para novas a&ccedil;&otilde;es do CFESS no sentido de orientar a categoria sobre o trabalho de assistentes sociais com os povos ind&iacute;genas.<\/p>\n<p><strong>Avalia&ccedil;&atilde;o &nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Danila Guimar&atilde;es, assistente social de base que atua no apoio t&eacute;cnico em aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de no Distrito Sanit&aacute;rio Especial Ind&iacute;gena Bahia, avaliou positivamente a oficina. &nbsp;&ldquo;Uma oportunidade de fazermos uma interlocu&ccedil;&atilde;o sobre o nosso fazer profissional nos territ&oacute;rios em que atuamos, de ouvir diferentes experi&ecirc;ncias de outros estados, de pensar essa discuss&atilde;o de uma forma integrada, reconhecendo a potencialidade da profiss&atilde;o junto a esses povos&rdquo;.<\/p>\n<p>Dayana Bednarczuk, assistente social indigenista de Roraima, destacou que para al&eacute;m de um espa&ccedil;o de troca, foi um espa&ccedil;o de constru&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Os elementos que discutimos na Oficina v&atilde;o subsidiar uma constru&ccedil;&atilde;o norteadora sobre formas de trabalho com os povos ind&iacute;genas, tirando profissionais (ind&iacute;genas e n&atilde;o ind&iacute;genas) de um lugar de solid&atilde;o ou fragmenta&ccedil;&atilde;o sobre essa atua&ccedil;&atilde;o profissional&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>Eliz&acirc;ngela Pankararu, ind&iacute;gena assistente social e integrante da Articula&ccedil;&atilde;o Brasileira Servi&ccedil;o Social e Povos Ind&iacute;genas, afirmou que &ldquo;fazer esse debate significa aprimorar a oferta desses servi&ccedil;os e qualificar nosso trabalho nos espa&ccedil;os s&oacute;cio-ocupacionais e nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas onde atuamos, al&eacute;m de defendermos a luta contra o racismo contra os povos ind&iacute;genas e defendermos o direito &agrave; terra e ao territ&oacute;rio, e aos povos que vivem em situa&ccedil;&atilde;o de migra&ccedil;&atilde;o ou ref&uacute;gio&rdquo;.<\/p>\n<p>Para fechar, a conselheira do CFESS Iara Fraga enfatizou: &ldquo;a Oficina materializa um princ&iacute;pio fundamental para nossa categoria, que &eacute; a democracia. Sa&iacute;mos com a tarefa de continuar impulsionando e incidindo no trabalho de assistentes sociais com os povos ind&iacute;genas e de fortalecer a garantia da justi&ccedil;a social para os povos ind&iacute;genas do nosso pa&iacute;s!&rdquo;.<\/p>\n<p>Ao final, participantes bradaram o grito &ldquo;demarca&ccedil;&atilde;o j&aacute;&rdquo;, refor&ccedil;ando uma das principais lutas dos povos ind&iacute;genas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Data de publica\u00e7\u00e3o: 3 de agosto de 2025 Fotos: Rafael Werkema Cr\u00e9ditos: Rafael Werkema\/CFESS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-3445","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3445\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}