{"id":3929,"date":"2020-01-16T18:48:34","date_gmt":"2020-01-16T18:48:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8090\/?p=90"},"modified":"2020-01-16T18:48:34","modified_gmt":"2020-01-16T18:48:34","slug":"em-nota-publica-cfess-se-manifesta-sobre-relatorio-do-tcu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cress-ba.org.br\/?p=3929","title":{"rendered":"Em nota p\u00fablica, CFESS se manifesta sobre relat\u00f3rio do TCU"},"content":{"rendered":"<h3>Conselho Federal se contrap&otilde;e &agrave; concep&ccedil;&atilde;o de assist&ecirc;ncia social expressa pelo tribunal<\/h3>\n<h4>A gest&atilde;o do Conselho Federal de Servi&ccedil;o Social (CFESS) &ldquo;Tecendo na luta a manh&atilde; desejada&rdquo; (2014-2017) vem, por meio desta nota, manifestar-se publicamente contr&aacute;ria &agrave; concep&ccedil;&atilde;o acerca da pol&iacute;tica de assist&ecirc;ncia social expressa pelo relat&oacute;rio sist&ecirc;mico do Tribunal de Contas da Uni&atilde;o (TCU), aprovado no &uacute;ltimo dia 10 de setembro.<br \/>\n&nbsp;<\/h4>\n<p>Consideramos essencial que a assist&ecirc;ncia social, como pol&iacute;tica p&uacute;blica, seja fiscalizada em todos os seus aspectos, aprimorando suas dimens&otilde;es de direito social no Brasil, e sabemos que o TCU pode desempenhar um importante papel neste aperfei&ccedil;oamento institucional. No entanto, duas premissas do referido relat&oacute;rio denotam que sua intencionalidade est&aacute; alinhada em sentido contr&aacute;rio, sendo expl&iacute;cito no texto o direcionamento tecnocr&aacute;tico e profundamente alinhado &agrave; perspectiva restritiva e focalista para as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. A primeira premissa do texto que sinalizamos &eacute; a&nbsp;&ecirc;nfase no risco de insustentabilidade fiscal envolvida na amplia&ccedil;&atilde;o dos recursos or&ccedil;ament&aacute;rios da assist&ecirc;ncia social.<\/p>\n<p>Neste aspecto, argumenta-se que a assist&ecirc;ncia social corresponde a um risco para o equil&iacute;brio or&ccedil;ament&aacute;rio do pa&iacute;s, por representar 6,86% do &ldquo;gasto&rdquo; total do governo na atualidade e 1,5% do PIB em 2013. Identificamos, neste argumento, a preval&ecirc;ncia da l&oacute;gica da governabilidade neoliberal, em preju&iacute;zo do atendimento &agrave;s necessidades sociais da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, que demanda investimentos crescentes na universaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos sociais. Mesmo que o or&ccedil;amento da pol&iacute;tica de assist&ecirc;ncia social tenha crescido desde 2005, est&aacute; longe de configur&aacute;-la conforme estabelecido constitucionalmente &ndash; ou seja, como pol&iacute;tica que deve atender &ldquo;a quem dela necessitar, independentemente de contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; seguridade social&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fica evidente que a principal cr&iacute;tica contida no relat&oacute;rio &eacute; direcionada ao volume de recursos do fundo p&uacute;blico destinados aos programas de transfer&ecirc;ncia de renda (com destaque para o Benef&iacute;cio de Presta&ccedil;&atilde;o Continuada &#8211; BPC e o Programa Bolsa Fam&iacute;lia &#8211; PBF) e a expans&atilde;o de sua cobertura.<\/p>\n<p>Embora tenhamos acordo com o fato de que programas de transfer&ecirc;ncia de renda n&atilde;o se configuram como a melhor estrat&eacute;gia para efetivar a pol&iacute;tica de assist&ecirc;ncia social enquanto direito e parte da seguridade social, explicitamos que n&atilde;o haver&aacute; &ldquo;portas de sa&iacute;da&rdquo; &ndash; como tantas vezes se cobra no relat&oacute;rio &ndash; se a concep&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica macroecon&ocirc;mica do governo n&atilde;o for alterada. Isso porque entendemos que o enfrentamento da pobreza, a gera&ccedil;&atilde;o de postos de trabalho e o melhoramento dos &iacute;ndices educacionais no Brasil n&atilde;o podem ser gerados exclusivamente pela via da gest&atilde;o da assist&ecirc;ncia social. Tais &ldquo;portas de sa&iacute;da&rdquo; s&oacute; ser&atilde;o poss&iacute;veis em decorr&ecirc;ncia de uma profunda invers&atilde;o na pauta de prioridades do Estado Brasileiro, e isto o relat&oacute;rio n&atilde;o aponta.<\/p>\n<p>Discordamos, portanto, desta avalia&ccedil;&atilde;o, inclusive por sabermos que os recursos da assist&ecirc;ncia social s&atilde;o absolutamente irris&oacute;rios, quando comparados aos destinados pelo governo brasileiro para o servi&ccedil;o da d&iacute;vida, que, excetuando o refinanciamento, corresponderam a aproximadamente 11% do PIB em 2013 (dados do IBGE&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ibge.gov.br\/home\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">http:\/\/www.ibge.gov.br\/home\/&nbsp;<\/a>e Siga Brasil:<a href=\"http:\/\/www12.senado.leg.br\/orcamento\/sigabrasil\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">http:\/\/www12.senado.leg.br\/orcamento\/sigabrasil<\/a>).<\/p>\n<p>A segunda premissa que destacamos refere-se ao&nbsp;questionamento da efici&ecirc;ncia dos equipamentos do SUAS e, consequentemente, do investimento neles feito pela gest&atilde;o da assist&ecirc;ncia social. O TCU avaliou que apenas 5,9% dos CRAS e 8,9% dos CREAS podem ser considerados &ldquo;eficientes&rdquo;, sendo que o indicador de efici&ecirc;ncia tomado para par&acirc;metro avaliativo foi o n&uacute;mero de atendimentos realizados. Neste quesito, muitos s&atilde;o nossos desacordos, pois o n&uacute;mero de atendimentos &eacute; apenas a express&atilde;o mais vis&iacute;vel de problemas existentes nestes espa&ccedil;os e n&atilde;o pode ser tomado, isoladamente, como indicador para avaliar sua qualidade e efici&ecirc;ncia. Embora o TCU exponha os elevados volumes de recursos aplicados em sua estrutura&ccedil;&atilde;o, os CRAS e CREAS, como unidades estatais de execu&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os socioassistenciais no SUAS, cuja implanta&ccedil;&atilde;o se iniciou em 2005, ainda n&atilde;o se encontram suficientemente estruturados.<\/p>\n<p>Dados do Censo SUAS 2013, assim como das pesquisas MUNIC e ESTADIC 2013, atestam que sua infraestrutura ainda &eacute; prec&aacute;ria, como tamb&eacute;m o &eacute; a maior parte dos v&iacute;nculos empregat&iacute;cios praticados nas contrata&ccedil;&otilde;es pelos munic&iacute;pios e a composi&ccedil;&atilde;o das equipes t&eacute;cnicas. Esta &eacute; mais uma raz&atilde;o pela qual n&atilde;o podemos deixar de nos manifestar quanto &agrave; necessidade de amplia&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento para execu&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os continuados na pol&iacute;tica de assist&ecirc;ncia social, visando a efetivar a devida prote&ccedil;&atilde;o social no contexto da seguridade social brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A &ldquo;quest&atilde;o social&rdquo; no Brasil se agrava diariamente e &eacute; fato que n&atilde;o podemos restringi-la &agrave; pobreza mensurada, de modo focalista, pelos diferentes par&acirc;metros institucionais que se limitam &agrave; renda para instituir as chamadas &ldquo;linhas de pobreza&rdquo;. Tendo isso por suposto, queremos, por fim, sublinhar que n&atilde;o se pode avaliar a assist&ecirc;ncia social sem fazer refer&ecirc;ncia aos demais direitos sociais e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, principalmente considerando-se o seu desfinanciamento e consequente precariedade no que diz respeito ao atendimento das atuais necessidades da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.&nbsp;<\/p>\n<p>Conselho Federal de Servi&ccedil;o Social (CFESS)<\/p>\n<p>Gest&atilde;o&nbsp;Tecendo na luta a manh&atilde; desejada&nbsp;(2014-2017)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nota p\u00fablica, CFESS se manifesta sobre relat\u00f3rio do TCU<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3578,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-3929","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3929"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3929\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}