{"id":4430,"date":"2023-07-23T23:00:00","date_gmt":"2023-07-23T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8090\/?p=2926"},"modified":"2023-07-23T23:00:00","modified_gmt":"2023-07-23T23:00:00","slug":"julho-das-pretas-o-servico-social-reafirma-e-fortalece-a-luta-antirracista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cress-ba.org.br\/?p=4430","title":{"rendered":"Julho das Pretas: o Servi\u00e7o Social reafirma e fortalece a luta antirracista"},"content":{"rendered":"<p>Em 25 de julho, &eacute; celebrado o&nbsp;<strong>Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha<\/strong>. O Servi&ccedil;o Social brasileiro, em seu c&oacute;digo de &eacute;tica que completa 30 anos, tem como um dos princ&iacute;pios fundamentais, o &ldquo;empenho na elimina&ccedil;&atilde;o de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito &agrave; diversidade, &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de grupos socialmente discriminados e &agrave; discuss&atilde;o das diferen&ccedil;as&rdquo;. &nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo Brasil, com a Lei 12.987\/2014, a data tamb&eacute;m &eacute; celebrada como o&nbsp;<strong>Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra<\/strong>, &ldquo;mulherageando&rdquo; a l&iacute;der quilombola. Para al&eacute;m do dia 25, no Brasil, o m&ecirc;s todo tamb&eacute;m passou a ser conhecido como &ldquo;Julho das Pretas&rdquo;, movimento fundado pelo Instituto Odara, protagonizado por mulheres negras de diversas partes do pa&iacute;s, realizam mobiliza&ccedil;&otilde;es para denunciar como o capitalismo, racismo e patriarcado est&atilde;o presentes no cotidiano da sociedade brasileira.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>E o Servi&ccedil;o Social nessa data?&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Como categoria, de acordo com a pesquisa Perfil de Assistentes Sociais no Brasil: Forma&ccedil;&atilde;o, Condi&ccedil;&otilde;es de Trabalho e Exerc&iacute;cio Profissional, divulgada pelo CFESS em 2022, 92,92% das pessoas que participaram se identificam com o g&ecirc;nero feminino, enquanto 6,97% com o sexo masculino. Outras express&otilde;es de g&ecirc;nero s&atilde;o 0,10%.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cfess.org.br\/arquivos\/2022Cfess-PerfilAssistentesSociais-Ebook.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui para aces<\/a><a href=\"http:\/\/www.cfess.org.br\/arquivos\/2022Cfess-PerfilAssistentesSociais-Ebook.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sar o documento e saber mais!<\/a><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, metade das(os) profissionais &eacute; de negras(os), com 50,34%. Na sequ&ecirc;ncia est&atilde;o as(os) profissionais autodeclaradas(os) brancas(os), 46,98%. O que se reflete, a partir dos dados, &eacute; que a categoria de assistentes sociais &eacute; majoritariamente formada por mulheres negras que se autodeclaram pretas ou pardas. Estas s&atilde;o tamb&eacute;m a maior parcela da popula&ccedil;&atilde;o atendida pelo trabalho profissional da categoria nas pol&iacute;ticas sociais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o por acaso, a primeira pessoa vitimada pela Covid-19 no Brasil foi Cleonice Gon&ccedil;alves, mulher negra, trabalhadora dom&eacute;stica, contaminada pelo v&iacute;rus pela patroa rec&eacute;m-chegada de uma viagem &agrave; Europa. Tamb&eacute;m, por mem&oacute;ria e justi&ccedil;a, &eacute; preciso recordar a morte de Miguel, filho de Mirtes, mulher negra e trabalhadora dom&eacute;stica, que n&atilde;o teve o direito ao isolamento social, e perdeu seu filho, que ficou por instantes sob os cuidados da patroa, enquanto ela trabalhava levando os animais de estima&ccedil;&atilde;o da casa para passear.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>Esses tr&aacute;gicos exemplos revelam o racismo persistente na sociedade brasileira e, portanto, negros e negras permanecem em luta por sobreviv&ecirc;ncia, repara&ccedil;&atilde;o social e bem viver, tema da 11&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Julho das Pretas&rdquo; em 2023.&nbsp; &ldquo;Mulheres Negras em Marcha por Repara&ccedil;&atilde;o e Bem Viver&rdquo; &#8211; este &eacute; o convite feito pelo movimento de mulheres negras, afinal, s&atilde;o elas que ainda permanecem no trabalho informal, sob as piores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, com os mais baixos sal&aacute;rios &ndash; s&atilde;o as principais v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia. S&atilde;o a maioria de encarceradas, as principais acometidas por morte materno-infantil, as que ainda acessam com maior dificuldade o ensino superior, as que ocupam menos espa&ccedil;os de decis&atilde;o pol&iacute;tica do pa&iacute;s, apesar de serem a maioria nas regi&otilde;es norte e nordeste e as principais respons&aacute;veis por suas fam&iacute;lias (a maioria das fam&iacute;lias brasileiras s&atilde;o chefiadas por mulheres negras).&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o movimento, coordenado pelo Instituto Odara, &ldquo;o Julho das Pretas exige repara&ccedil;&atilde;o porque a d&iacute;vida do Brasil com nossa gente &eacute; extensa, e &eacute; tempo de acertar as contas: pela escravid&atilde;o; pelas diversas formas de genoc&iacute;dio; pelo encarceramento em massa; pela explora&ccedil;&atilde;o de nosso trabalho; pelo estelionato intelectual; pelas viol&ecirc;ncias f&iacute;sicas, mentais, sexuais, espirituais; por toda riqueza que n&oacute;s geramos, enquanto tantas e tantos de n&oacute;s foram ficando para tr&aacute;s&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;No per&iacute;odo de 2016 a 2022, n&oacute;s, assistentes sociais, trabalhadoras(es) das pol&iacute;ticas sociais, sofremos cotidianamente o impacto da diminui&ccedil;&atilde;o dos recursos destinados &agrave; assist&ecirc;ncia social, seguran&ccedil;a alimentar, sa&uacute;de, moradia, educa&ccedil;&atilde;o, dentre outros, no momento em que a popula&ccedil;&atilde;o, em sua maioria negra, mais precisava ter seus direitos constitucionais garantidos pelo Estado brasileiro. Por isso, reparar &eacute; instituir pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que impe&ccedil;am e restaurem tudo o que historicamente foi\/&eacute; negado ao povo negro brasileiro&rdquo;, alerta a conselheira do CFESS Elaine Amazonas.<\/p>\n<p>Conforme consta na&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.cfess.org.br\/arquivos\/nota-tecnica-raca-cor-2022-nov.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nota t&eacute;cnica&nbsp;do CFESS<\/a>&nbsp;sobre o trabalho de assistentes sociais e a coleta do quesito ra&ccedil;a\/cor\/etnia, elaborada pela professora M&aacute;rcia Eurico, &ldquo;a produ&ccedil;&atilde;o de indicadores que possam identificar tais assimetrias &eacute; imprescind&iacute;vel no planejamento, execu&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e no desempenho das atribui&ccedil;&otilde;es profissionais de assistentes sociais, com vistas a reduzir os impactos do racismo institucional&rdquo;.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O Conjunto CFESS-CRESS, sobretudo a partir do tri&ecirc;nio 2017-2020, lan&ccedil;ou a publica&ccedil;&atilde;o Assistentes Sociais no Combate ao Racismo, reafirmando o compromisso e reconhecimento de que a classe trabalhadora n&atilde;o &eacute; homog&ecirc;nea, sendo a ra&ccedil;a\/etnia e o g&ecirc;nero fatores determinantes para o acesso a bens e servi&ccedil;os materiais que contribuam para a garantia da vida com dignidade. &ldquo;Assim, nos somamos &agrave;s hist&oacute;rias e resist&ecirc;ncias diversas na luta antirracista, ecoando &lsquo;vida-liberdade&rsquo;&rdquo;, completa a conselheira do CFESS.&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; sabia?&nbsp;<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA data de 25 de julho foi reconhecida pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), devido &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o das mulheres e movimentos, que organizaram o 1&ordm; encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas em Santo Domingo (Rep&uacute;blica Dominicana) em 1992.&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/amnb.org.br\/esta-no-ar-a-agenda-coletiva-da-11a-edicao-do-julho-das-pretas-mulheres-negras-em-marcha-por-reparacao-e-bem-viver\/?fbclid=PAAabBiwtQJlTsPWdTG-JrdzCcHDt-myLbY2reRWN58zlxk9HSDPOkV6a3C4E_aem_Ada4c57wM3L3iGmD98T1XMb7M-hLMGqbmL5K3fj86EQNgy2jPnSm01Y4SDHFMCCo0-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui e acesse a programa&ccedil;&atilde;o unificada do &ldquo;Julho das Pretas&rdquo;<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tMYB_FIVorM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Relembre o Cordel feito pela assistente social Maria Clara Psoa, lan&ccedil;ado em julho de 2022, na Campanha &ldquo;N&oacute;s, mulheres, assistentes sociais de luta&rdquo;<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/servicosocialcontraracismo.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Relembre a Campanha &ldquo;Assistentes Sociais no Combate ao Racismo&rdquo;<\/a>&nbsp;<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.cfess.org.br\/arquivos\/2020Cfess-LivroCampanhaCombateRacismo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Acesse a publica&ccedil;&atilde;o Assistentes sociais no combate ao racismo &#8211; O livro da campanha<\/a>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.cfess.org.br\/visualizar\/noticia\/cod\/2026\">Conselho Federal de Servi&ccedil;o Social &#8211; CFESS<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>25 de julho \u00e9 o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6326,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-4430","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4430\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}