{"id":4432,"date":"2023-07-12T03:00:00","date_gmt":"2023-07-12T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8090\/?p=2930"},"modified":"2023-07-12T03:00:00","modified_gmt":"2023-07-12T03:00:00","slug":"cpi-do-mst-cfess-manifesta-apoio-ao-movimento-dosas-trabalhadoresas-rurais-sem-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cress-ba.org.br\/?p=4432","title":{"rendered":"CPI do MST: CFESS manifesta apoio ao Movimento dos(as) Trabalhadores(as) Rurais Sem Terra"},"content":{"rendered":"<p>O Conselho Federal de Servi&ccedil;o Social (CFESS), autarquia p&uacute;blica federal respons&aacute;vel por orientar, fiscalizar, normatizar e defender a profiss&atilde;o de assistente social no Brasil, que conta hoje com mais de 200 mil profissionais que trabalham em diversas pol&iacute;ticas sociais, atendendo a popula&ccedil;&atilde;o na cidade e no campo, vem a p&uacute;blico manifestar seu apoio e solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), que segue sendo alvo de ataques e de campanhas de setores da sociedade que buscam criminalizar a luta pela reforma agr&aacute;ria.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Compreendemos que a Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito (CPI) instaurada contra o MST, em maio de 2023, se apresenta como uma ofensiva pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica da burguesia brasileira a todas as conquistas da classe trabalhadora, bem como &agrave;s respostas nas urnas nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es. Essa CPI n&atilde;o &eacute; s&oacute; contra o movimento, mas contra todas as demais organiza&ccedil;&otilde;es populares, movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais que sofreram nos &uacute;ltimos anos com os desmontes das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e est&atilde;o voltando a ocupar lugares que afirmam as suas exist&ecirc;ncias. Os parlamentares que lideram a CPI n&atilde;o est&atilde;o debatendo os reais problemas no campo, como a grilagem de terras, trabalho escravo, monocultura, uso de agrot&oacute;xico, o que t&ecirc;m causado problemas estruturais grav&iacute;ssimos para a popula&ccedil;&atilde;o brasileira, produzindo um rastro de pobreza, conflitos, mortes, degrada&ccedil;&otilde;es e injusti&ccedil;as socioambientais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\nEssa CPI foi organizada por partidos que fazem oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s pautas dos movimentos sociais e est&aacute; composta por uma maioria de parlamentares vinculada ao agroneg&oacute;cio. Tamb&eacute;m consideramos importante explicitar que n&atilde;o h&aacute; um objeto real que fundamente a exist&ecirc;ncia da CPI. O proponente afirma que tem por objetivo descobrir o &ldquo;verdadeiro prop&oacute;sito&rdquo; do MST, os(as) financiadores(as) do movimento e a situa&ccedil;&atilde;o atual de propriedades que foram ocupadas, informa&ccedil;&otilde;es facilmente encontradas nas muitas produ&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas e cient&iacute;ficas que dialogam com todo o territ&oacute;rio nacional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\nVale recordar que muitos(as) desses(as) parlamentares fazem parte da Frente Agropecu&aacute;ria Parlamentar, entusiastas da extrema-direita, acusados(as) de diversos crimes, a exemplo do pr&oacute;prio relator da CPI, que responde por fraude ambiental em S&atilde;o Paulo e por promover persegui&ccedil;&otilde;es a servidores e servidoras do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conserva&ccedil;&atilde;o da Biodiversidade (ICMBio). Ele tamb&eacute;m foi o respons&aacute;vel pela paralisa&ccedil;&atilde;o do fundo amaz&ocirc;nico, est&aacute; relacionado na investiga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal por tr&aacute;fico de madeira, com 56 mil quil&ocirc;metros quadrados de desmatamento na Amaz&ocirc;nia e no Cerrado e com a invas&atilde;o, destrui&ccedil;&atilde;o e genoc&iacute;dio na Terra Ind&iacute;gena Yanomami.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, deputadas que comp&otilde;em a Frente Parlamentar Feminista Antirracista com participa&ccedil;&atilde;o popular, que se opuseram ao marco temporal das terras ind&iacute;genas, denunciaram graves viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos e reivindicam os direitos &agrave; terra, foram denunciadas ao Comit&ecirc; de &Eacute;tica da C&acirc;mara, com a solicita&ccedil;&atilde;o de cassa&ccedil;&atilde;o de seus mandatos. Trata-se de uma viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica como tentativa de silenciar e retirar mulheres, que ainda s&atilde;o minoria, dos espa&ccedil;os de representa&ccedil;&atilde;o parlamentar. Tal persegui&ccedil;&atilde;o resultou na campanha&nbsp;<a href=\"http:\/\/%28https\/docs.google.com\/forms\/u\/0\/d\/e\/1FAIpQLSfS6GmgkSVl5E1uCC5dmZO2CfBTaqp1hrQzfAe-MC3AWyS0ng\/viewform?fbclid=PAAaa-CGYzbI5HNKYtcJaCOVpO2B3XXAXmcMr65KwczdupRxgQRfnqvDj0bQM_aem_AWpDXahnwdL1WIli-oBTUl3JdPG9SeLgowI763WYMqOaZcVcgOhAshP4Rtz0lNEEWEM&amp;pli=1\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">&ldquo;Elas ficam&rdquo; &#8211; Campanha Nacional contra a Viol&ecirc;ncia Pol&iacute;tica de G&ecirc;nero e Ra&ccedil;a.<\/a>&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;Assim, percebemos que, de fato, acabar com o latif&uacute;ndio, democratizando o acesso &agrave; terra; denunciar o desmatamento e tantos outros crimes ambientais, anunciando o reflorestamento e a guarda das &aacute;guas e das sementes; impedir a invas&atilde;o de territ&oacute;rios tradicionais, defendendo a demarca&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios ind&iacute;genas; visibilizar o trabalho an&aacute;logo ao escravo presente no campo, s&atilde;o estrat&eacute;gias para combater o projeto da burguesia agr&aacute;ria, militarizada e ultraconservadora nas fazendas do agroneg&oacute;cio; assim como lutar contra a grilagem de terras e os assassinatos de trabalhadoras(es) do campo.&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Sabemos que a hist&oacute;ria social e econ&ocirc;mica brasileira foi forjada por ininterruptos processos de viol&ecirc;ncia, dos quais destacamos a invas&atilde;o das terras ocupadas ancestralmente por povos origin&aacute;rios. A coloniza&ccedil;&atilde;o, para fins de amplia&ccedil;&atilde;o da nascente sociabilidade capitalista advinda dos pa&iacute;ses do norte, tamb&eacute;m foi respons&aacute;vel pela escraviza&ccedil;&atilde;o de centenas de povos africanos que, unidos, derramaram sangue e suor, constituindo as origens da classe trabalhadora brasileira.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Naquele momento, a colonos e colonas eram concedidas muitas l&eacute;guas de terra, que conhecemos por sesmarias, nas quais pessoas escravizadas produziam riquezas para exporta&ccedil;&atilde;o. &Eacute; nessas rela&ccedil;&otilde;es que encontramos as ra&iacute;zes da quest&atilde;o agr&aacute;ria brasileira, ainda hoje irresoluta. Todo esse processo de expropria&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m constitu&iacute;do por rela&ccedil;&otilde;es patriarcais e racistas, foi acompanhado sempre por muita resist&ecirc;ncia dos povos ind&iacute;genas e das popula&ccedil;&otilde;es negras que, das mais variadas formas, negaram essa ordem e buscaram garantir terra e territ&oacute;rio para sobreviver. A hist&oacute;ria oficial registra algumas das muitas insurg&ecirc;ncias, revoltas e resist&ecirc;ncias travadas h&aacute; s&eacute;culos por essa popula&ccedil;&atilde;o.&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Os movimentos sociais do campo, &agrave; sua maneira, d&atilde;o continuidade a esse legado de luta por justi&ccedil;a social, desconcentrando o latif&uacute;ndio e produzindo riquezas para apropria&ccedil;&atilde;o por toda a popula&ccedil;&atilde;o brasileira. &Eacute; sob esse ch&atilde;o que o MST vem semeando sua luta. S&atilde;o mais de 400 mil fam&iacute;lias assentadas no pa&iacute;s, cultivando a terra, produzindo alimentos saud&aacute;veis e fazendo cumprir a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que prev&ecirc; o cumprimento da fun&ccedil;&atilde;o social das terras no Brasil. Al&eacute;m de ocupar terras para fins de reforma agr&aacute;ria, o MST vem contribuindo para importantes pr&aacute;ticas e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o do campo, de sa&uacute;de, garantindo as especificidades das popula&ccedil;&otilde;es do campo, das &aacute;guas e das florestas, de seguran&ccedil;a e soberania alimentar, pois entende que todos esses direitos acompanham a necessidade da desconcentra&ccedil;&atilde;o do latif&uacute;ndio no pa&iacute;s.&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso, o CFESS, representando assistentes sociais de todo o pa&iacute;s, manifesta solidariedade ao MST, afirmando o compromisso &eacute;tico-pol&iacute;tico da profiss&atilde;o com a defesa das lutas sociais das(os) trabalhadoras(es) do campo. Refor&ccedil;amos tamb&eacute;m nossa ades&atilde;o ao movimento&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mstemdebate.com.br\/\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">#T&ocirc;comMST.<\/a>&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Apoiamos o projeto de Reforma Agr&aacute;ria Popular, que se coloca como uma alternativa no combate &agrave; fome que ainda assola milhares de brasileiras (os), contribuindo para a seguran&ccedil;a alimentar, com a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos biodiversos e sem agrot&oacute;xicos. Apoiamos a luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; terra e novas rela&ccedil;&otilde;es com os bens comuns da natureza, com a produ&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o no campo e na cidade.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Nas palavras de Pedro Casald&aacute;liga, &quot;malditas sejam todas as cercas! Malditas todas as propriedades privadas que nos privam de viver e amar! Malditas sejam todas as leis amanhadas por umas poucas m&atilde;os para ampararem cercas e bois, fazerem a terra escrava e escravos os humanos&quot;.&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conselho Federal de Servi&ccedil;o Social (CFESS)&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gest&atilde;o 2023-2026 &ndash;<em>&nbsp;Que nossas vozes ecoem vida-liberdade&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nota, Conselho denuncia ataques de setores da sociedade que buscam criminalizar a luta pela reforma agr\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6330,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-4432","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4432","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4432"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4432\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}