{"id":4576,"date":"2024-09-05T15:00:00","date_gmt":"2024-09-05T15:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8090\/?p=3220"},"modified":"2024-09-05T15:00:00","modified_gmt":"2024-09-05T15:00:00","slug":"cfess-articula-estrategias-contra-novas-medidas-que-dificultam-o-acesso-da-populacao-e-permanencia-no-bpc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cress-ba.org.br\/?p=4576","title":{"rendered":"CFESS articula estrat\u00e9gias contra novas medidas que dificultam o acesso da popula\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia no BPC"},"content":{"rendered":"<p>Em julho de 2024, o Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social (MDS) anunciou a publica&ccedil;&atilde;o de novas portarias conjuntas com o Minist&eacute;rio da Previd&ecirc;ncia Social que, segundo divulga&ccedil;&atilde;o no site do Governo Federal, seriam para &ldquo;garantir que o Benef&iacute;cio de Presta&ccedil;&atilde;o Continuada (BPC) chegue a quem mais precisa&rdquo;.<\/p>\n<p>Entretanto, desde a publica&ccedil;&atilde;o das normativas, assistentes sociais que atuam nas pol&iacute;ticas e servi&ccedil;os dessas duas &aacute;reas v&ecirc;m observando e denunciando os problemas de acesso da popula&ccedil;&atilde;o usu&aacute;ria ao benef&iacute;cio, bem como a falta de investimento nessas pol&iacute;ticas, que impactam na qualidade do atendimento.<\/p>\n<p><strong>Mas que portarias s&atilde;o essas e que problemas elas trazem?<\/strong><\/p>\n<p>A&nbsp;<strong><em>Portaria Conjunta MDS\/MPS n&ordm; 27\/2024<\/em><\/strong>&nbsp;definiu prazos e procedimentos espec&iacute;ficos para a atualiza&ccedil;&atilde;o cadastral de benefici&aacute;rios(as) do BPC, com &ecirc;nfase em quem est&aacute; com cadastro desatualizado h&aacute; mais de 48 meses. Pela normativa, as pessoas t&ecirc;m 90 dias para atualiza&ccedil;&atilde;o cadastral. Quem n&atilde;o faz essa atualiza&ccedil;&atilde;o fica com o benef&iacute;cio suspenso e o pagamento bloqueado e, caso n&atilde;o regularize, o mesmo dever&aacute; cortado.<\/p>\n<p><strong>Problemas<\/strong><\/p>\n<p>O que ocorre &eacute; que essas pessoas est&atilde;o sendo chamadas aos Centros de Refer&ecirc;ncia de Assist&ecirc;ncia Social (Cras) e a unidades de cadastramento, entretanto, esses espa&ccedil;os n&atilde;o t&ecirc;m tido capacidade de absorver a demanda de atendimentos, seja pela falta de recursos humanos ou de estrutura, gerando filas enormes de espera.<\/p>\n<p>&ldquo;H&aacute; um n&iacute;tido aumento do volume de trabalho das equipes que atuam no cadastramento e atualiza&ccedil;&atilde;o cadastral, sem amplia&ccedil;&atilde;o de investimento, colocando em risco o direito daquela pessoa que ter&aacute; o benef&iacute;cio cortado por n&atilde;o ter sido atendida a tempo pelos equipamentos&rdquo;, explica a assistente social do Cras de S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais (PR) e conselheira coordenadora da Comiss&atilde;o de Seguridade Social do CFESS, Karen Albini.<\/p>\n<p>Em novembro, se encerrar&aacute; o prazo para atualiza&ccedil;&atilde;o. E a pessoa benefici&aacute;ria que n&atilde;o foi informada e n&atilde;o atualizou o cadastro s&oacute; ter&aacute; ci&ecirc;ncia quando o pagamento do BPC for bloqueado. E at&eacute; que o problema seja resolvido, ela ficar&aacute; sem sua &uacute;nica fonte de renda e de sobreviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Outro problema &eacute; que nem a portaria e nem outra estrat&eacute;gia do Governo Federal falam em incremento financeiro para contrata&ccedil;&atilde;o de pessoal para os postos de trabalho, para atitudes proativas das equipes para localiza&ccedil;&atilde;o de pessoas benefici&aacute;rias, realiza&ccedil;&atilde;o de entrevistas, orienta&ccedil;&otilde;es, campanhas entre outras a&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong><em>Portaria Conjunta MDS\/INSS n&ordm; 28\/2024<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O documento determina que &quot;os requerimentos do BPC que passarem por altera&ccedil;&atilde;o cadastral com ind&iacute;cios de inconsist&ecirc;ncia durante o processo de an&aacute;lise dever&atilde;o ser submetidos &agrave; averigua&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria para verifica&ccedil;&atilde;o das novas informa&ccedil;&otilde;es prestadas&quot;.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, al&eacute;m dos crit&eacute;rios j&aacute; estabelecidos por lei para acesso ao BPC, a portaria exige o cadastramento biom&eacute;trico da pessoa benefici&aacute;ria (coletado seja por meio da obten&ccedil;&atilde;o da nova Carteira de Identidade Nacional, da Carteira de Habilita&ccedil;&atilde;o ou do T&iacute;tulo de Eleitor\/a).<\/p>\n<p><strong>Problemas<\/strong><\/p>\n<p>Relatos apontam que as pessoas benefici&aacute;rias s&oacute; se d&atilde;o conta disso quando o BPC &eacute; suspenso por &ldquo;diverg&ecirc;ncia cadastral&rdquo;. &ldquo;As ag&ecirc;ncias do INSS, que deveriam ser outro canal de informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o atendem a popula&ccedil;&atilde;o para esta demanda, muito pelo contr&aacute;rio, est&atilde;o com os atendimentos cada vez mais restritos, por meio de plataformas digitais, que dificultam o acesso das pessoas com pouca familiaridade com o ambiente digital&rdquo;, aponta a assistente social do INSS e conselheira do CFESS Angelita Rangel.<\/p>\n<p>Isso acaba obrigando a popula&ccedil;&atilde;o benefici&aacute;ria a buscar intermedi&aacute;rios que cobram pela execu&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o que deveria ser p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Ou seja, o acesso por meio remoto a servi&ccedil;os e benef&iacute;cios ofertados pelo INSS vem incentivando a sua mercantiliza&ccedil;&atilde;o, &agrave; medida que for&ccedil;a a popula&ccedil;&atilde;o a recorrer a meios privados para acess&aacute;-los, por aus&ecirc;ncia de conhecimentos e de ferramentas de tecnologia de informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;O Servi&ccedil;o Social do INSS, portanto, que poderia ser uma porta de acesso a estas e outras informa&ccedil;&otilde;es, est&aacute; se transformando em um servi&ccedil;o de avalia&ccedil;&atilde;o social, quando o INSS dificulta ou mesmo impede a realiza&ccedil;&atilde;o das atribui&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias de assistentes sociais, a exemplo do servi&ccedil;o de socializa&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es previdenci&aacute;rias e assistenciais&rdquo;, enfatiza Angelita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o aos benef&iacute;cios que j&aacute; est&atilde;o sendo bloqueados por aus&ecirc;ncia de atualiza&ccedil;&atilde;o cadastral, o INSS tem orientado as pessoas benefici&aacute;rias a procurarem os Cras ou ligarem na central 135 para solicitar o desbloqueio, o que configura mais uma burocracia para a popula&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de sobrecarga para profissionais do Suas, cuja &aacute;rea n&atilde;o tem aporte financeiro para incremento das equipes, ou ainda de condi&ccedil;&otilde;es para desempenho de fun&ccedil;&otilde;es na escala que se apresentou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Atualiza&ccedil;&atilde;o cadastral x averigua&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Para a presidenta do CFESS Kelly Melatti, a atualiza&ccedil;&atilde;o cadastral pode ser uma estrat&eacute;gia importante e necess&aacute;ria para o acesso &agrave; benef&iacute;cios, mas, para se chegar a essa conclus&atilde;o, seria necess&aacute;rio um amplo debate com pesquisas e envolvendo diversos setores da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;A atualiza&ccedil;&atilde;o cadastral n&atilde;o pode ser uma forma de puni&ccedil;&atilde;o a pessoas benefici&aacute;rias que, por algum motivo, n&atilde;o acessam os servi&ccedil;os, pois isso seria uma dupla puni&ccedil;&atilde;o, inclusive. Da mesma forma, &eacute; preciso muito cuidado para que tais a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o tenham &ldquo;car&aacute;ter fiscalizat&oacute;rio&rdquo; e que, sobretudo, n&atilde;o recaia sobre assistentes sociais a tarefa de averigua&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es constantes em cadastros&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tarefa de averigua&ccedil;&atilde;o cadastral, tamb&eacute;m em curso no momento, n&atilde;o &eacute; atribui&ccedil;&atilde;o de assistente social, sobretudo de quem atua no Servi&ccedil;o de Aten&ccedil;&atilde;o Integral &agrave; Fam&iacute;lias (Paif) e n&atilde;o pode ter car&aacute;ter fiscalizador, moralizador e punitivo em face das pessoas benefici&aacute;rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio que o Governo Federal promova campanhas de orienta&ccedil;&atilde;o e de incentivo &agrave; atualiza&ccedil;&atilde;o cadastral, com recurso e investimento para tal a&ccedil;&atilde;o. De modo que isso signifique amplia&ccedil;&atilde;o de direitos para a popula&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o morosidade, filas e corte de benef&iacute;cios&rdquo;, complementa Karen Albini, do CFESS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Popula&ccedil;&atilde;o migrante em risco<\/strong><\/p>\n<p>A Portaria Conjunta MDS\/INSS n&ordm; 28\/2024 tem gerado outro problema mais grave: o impedimento para solicita&ccedil;&atilde;o de novos pedidos de BPC em virtude da aus&ecirc;ncia de cadastramento biom&eacute;trico. O que a portaria n&atilde;o considera &eacute; que pessoas migrantes n&atilde;o possuem registro biom&eacute;trico no Brasil, tendo em vista que os documentos aceitos no cadastro biom&eacute;trico &eacute; CIN, CNH e T&iacute;tulo Eleitoral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;O BPC &eacute; garantia de acesso a renda que, estando dentro do perfil de acesso, deve ter o direito garantido. Mas com essa medida, pessoas migrantes n&atilde;o est&atilde;o acessando o benef&iacute;cio, denuncia Karen Albini, conselheira do CFESS que trabalha no Cras de S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais (PR), cidade da regi&atilde;o metropolitana de Curitiba com fluxo migrat&oacute;rio oriundo da Venezuela, Haiti, Paraguai entre outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Portarias atendem aos &ldquo;cortes&rdquo; impostos pelo &ldquo;mercado&rdquo; e entidades se mobilizam<\/strong><\/p>\n<p>Se por um lado, o Governo Federal defende que as novas portarias contribuir&atilde;o para evitar fraudes de acesso ao BPC e para regulariza&ccedil;&atilde;o de cadastro da popula&ccedil;&atilde;o usu&aacute;ria, ele omite que tais medidas, na verdade, s&atilde;o uma forma de enxugar ainda mais o parco or&ccedil;amento para as pol&iacute;ticas sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo reportagem veiculada pela Folha de S&atilde;o Paulo em 7 de agosto de 2024, &ldquo;o pente-fino no BPC &eacute; uma das principais apostas da equipe econ&ocirc;mica para alcan&ccedil;ar o corte de R$ 25,9 bilh&otilde;es em despesas obrigat&oacute;rias prometido pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) e avalizado por Lula para fechar as contas de 2025&rdquo;.&nbsp;De acordo com a mat&eacute;ria, h&aacute; uma previs&atilde;o de cancelamento de mais de 670 mil benef&iacute;cios, totalizando quase R$ 6,6 bi de corte no or&ccedil;amento de 2025, segundo proje&ccedil;&atilde;o do Executivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tais quest&otilde;es v&ecirc;m sendo debatidas pelo CFESS em articula&ccedil;&atilde;o com o F&oacute;rum Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras do Sistema &Uacute;nico de Assist&ecirc;ncia Social (FNTSUAS) e com Conselho Nacional de Assist&ecirc;ncia Social (CNAS).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Jucileide Nascimento, representante do CFESS no CNAS, as mudan&ccedil;as impostas pelas normativas promover&atilde;o um processo ainda maior de focaliza&ccedil;&atilde;o e restri&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave;s seguran&ccedil;as afian&ccedil;adas pela pol&iacute;tica de assist&ecirc;ncia social, em especial &agrave; seguran&ccedil;a de renda.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Concordamos que o Cadastro &Uacute;nico &eacute; um instrumento importante para identificar as fam&iacute;lias e indiv&iacute;duos que precisam de prote&ccedil;&atilde;o social estatal. No entanto, o mesmo n&atilde;o pode ser transformado em um mecanismo de restri&ccedil;&atilde;o de acesso aos direitos socioassistenciais previstos na Lei Org&acirc;nica de Assist&ecirc;ncia Social e protegidos pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988. As medidas, no &acirc;mbito da pol&iacute;tica de assist&ecirc;ncia social, devem ser no sentido de ampliar a prote&ccedil;&atilde;o socioassistencial&rdquo;, enfatiza Jucileide.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini&atilde;o de Viviane Peres, diretora da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Sa&uacute;de, Trabalho, Previd&ecirc;ncia e Assist&ecirc;ncia Social (Fenasps), o BPC &eacute; fruto da luta da classe trabalhadora, especialmente para garantir acesso &agrave; renda m&iacute;nima para pessoas idosas e pessoas com defici&ecirc;ncia. &ldquo;Assim, os ataques sistem&aacute;ticos a esse benef&iacute;cio nos &uacute;ltimos anos, seja por meio de atos infralegais ou medidas de gest&atilde;o do INSS, precisam ser combatidos pelas entidades sindicais, movimentos sociais, conselhos de classe e toda a sociedade. A Fenasps se coloca nesta luta, na defesa deste benef&iacute;cio essencial para minimizar as desigualdades sociais no Brasil&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, fica n&iacute;tido que tais portarias v&atilde;o al&eacute;m de uma &ldquo;regulariza&ccedil;&atilde;o de cadastro&rdquo; e de &ldquo;combate a fraudes&rdquo;, e sim, fazem parte do conjunto de medidas para estrangular ainda mais o financiamento das pol&iacute;ticas sociais, como o CFESS vem apontando desde 2023, com a aprova&ccedil;&atilde;o do Novo Arcabou&ccedil;o Fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2023, CFESS, Abepss e Enesso divulgaram nota criticando a pol&iacute;tica neoliberal de desfinanciamento das pol&iacute;ticas sociais. &ldquo;O &lsquo;novo&rsquo; arcabou&ccedil;o prev&ecirc; um rebaixado teto de investimentos sociais, permitindo um crescimento real das despesas prim&aacute;rias de apenas 0,6% a 2,5% ao ano, condicionado tamb&eacute;m ao limite de 50% a 70% do crescimento real da arrecada&ccedil;&atilde;o, e &agrave;s metas de resultado prim&aacute;rio. Caracteriza-se como uma articula&ccedil;&atilde;o do governo com o setor econ&ocirc;mico, que n&atilde;o busca romper com o projeto neoliberal e que captura o fundo p&uacute;blico ao limitar os recursos para as pol&iacute;ticas sociais e destin&aacute;-los para o pagamento de juros e encargos da d&iacute;vida p&uacute;blica&rdquo;, diz trecho da nota.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que as entidades v&ecirc;m denunciando &eacute; que por tr&aacute;s do discurso do controle e direcionamento dos investimentos sociais do governo, h&aacute;, na verdade, o gesto de atender o &lsquo;grande capital&rsquo;, restringindo ainda mais os direitos da classe trabalhadora, al&eacute;m de limitar o financiamento p&uacute;blico nas pol&iacute;ticas sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Esse cen&aacute;rio de ofensiva neoliberal repercute diretamente na qualidade dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos prestados e dos benef&iacute;cios sociais destinados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o; nas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e nos sal&aacute;rios das\/os trabalhadoras\/es das diversas pol&iacute;ticas sociais; na aus&ecirc;ncia de concursos p&uacute;blicos e na defasagem progressiva do sal&aacute;rio-m&iacute;nimo, atingindo a sobreviv&ecirc;ncia das classes trabalhadoras, beneficiando, mais uma vez, representantes da classe dominante e o mercado financeiro&rdquo;, afirma tamb&eacute;m a nota do CFESS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outra perigosa discuss&atilde;o que vem tomando o Governo federal e Congresso Nacional &eacute; a possibilidade de desvincula&ccedil;&atilde;o do valor do BPC e de outros benef&iacute;cios (como abono salarial e seguro-desemprego) do sal&aacute;rio m&iacute;nimo. Mas &eacute; preciso que se amplie medidas para preservar direitos e n&atilde;o que aprofundem a desigualdade e a exclus&atilde;o social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Audi&ecirc;ncia p&uacute;blica e mobiliza&ccedil;&atilde;o da categoria<\/strong><\/p>\n<p>O CFESS articula a realiza&ccedil;&atilde;o de uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica na C&acirc;mara dos Deputados, em Bras&iacute;lia, juntamente com a Comiss&atilde;o de Legisla&ccedil;&atilde;o Participativa, para convidar entidades, movimentos e f&oacute;runs da &aacute;rea a debater sobre as normativas e verificar as possibilidades de revers&atilde;o, bem como da articula&ccedil;&atilde;o, junto a parlamentares, para designa&ccedil;&atilde;o de recursos para a pol&iacute;tica de assist&ecirc;ncia social.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A atividade ainda n&atilde;o est&aacute; com data definida e ser&aacute; divulgada em breve, para a qual o CFESS convida a categoria a participar desde j&aacute;.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Convidamos nossa categoria de assistentes sociais, que no seu cotidiano atende diretamente a popula&ccedil;&atilde;o usu&aacute;ria e tem lidado com todas essas quest&otilde;es, para lutar, junto com demais setores da classe trabalhadora, pela amplia&ccedil;&atilde;o do financiamento p&uacute;blico das pol&iacute;ticas sociais e para se posicionar contra medidas que burocratizam e retiram a possibilidade de quem mais precisa ter acesso ao BPC. N&atilde;o s&atilde;o portarias que v&atilde;o resolver o problema da falta de financiamento p&uacute;blico adequado e da sustentabilidade da Seguridade Social, que deve ser universal. &Eacute; preciso garantir a prote&ccedil;&atilde;o social e os direitos da classe trabalhadora, o que requer engajamento nas lutas e respostas firmes frente ao neoliberalismo que ao entregar o que o mercado &lsquo;exige&rsquo; continua devastando diretos arduamente conquistados&rdquo; , finaliza a presidenta do CFESS, Kelly Melatti.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Recentemente, o CFESS se tornou signat&aacute;rio do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.manifestopacoteantipovo.com.br\/#assinar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manifesto contra o Pacote Antipovo,<\/a>&nbsp;que condena &ldquo;de forma veemente o conjunto de medidas de cortes sociais anunciado pelos ministros Fernando Haddad e Simone Tebet para o final deste ano&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O documento aponta que as &aacute;reas alvo desses ataques j&aacute; est&atilde;o definidas: sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, Benef&iacute;cio de Presta&ccedil;&atilde;o Continuada (BPC), seguro-desemprego e outros direitos essenciais e que tais medidas fazem parte de uma estrat&eacute;gia de austeridade que aprofunda o Novo Arcabou&ccedil;o Fiscal e ataca diretamente conquistas sociais hist&oacute;ricas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;O pacote de austeridade agora anunciado e amplamente divulgado pela imprensa &eacute; a segunda fase desse programa: um ataque direto aos direitos sociais, buscando comprimir o que &eacute; garantido pela Constitui&ccedil;&atilde;o para que caiba dentro de um teto de gastos artificialmente limitado. As medidas em discuss&atilde;o incluem a flexibiliza&ccedil;&atilde;o de direitos trabalhistas, como a redu&ccedil;&atilde;o da multa de 40% do FGTS para demiss&otilde;es sem justa causa e do seguro-desemprego, al&eacute;m de poss&iacute;veis altera&ccedil;&otilde;es no abono salarial e no BPC. O objetivo &eacute; claro: reduzir e restringir direitos b&aacute;sicos para obedecer &agrave;s regras fiscais que priorizam as exig&ecirc;ncias do mercado &agrave;s custas do bem-estar social. Mas quem paga essa conta? No caso do BPC, as principais v&iacute;timas s&atilde;o mulheres idosas negras e pessoas com defici&ecirc;ncia, que constituem a maioria das benefici&aacute;rias e dependem diretamente desse programa para sobreviver&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.manifestopacoteantipovo.com.br\/#assinar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Assine o manifesto<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cfess.org.br\/visualizar\/noticia\/cod\/2005\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Relembre a nota das entidades contra o Novo Arcabou&ccedil;o Fiscal<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Conselho Federal de Servi&ccedil;o Social &ndash; CFESS<\/p>\n<p>Gest&atilde;o Que nossas vozes ecoem vida-liberdade (2023-2026)<\/p>\n<p>Comiss&atilde;o de Comunica&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>Rafael Werkema &#8211; JP-MG 11732<\/p>\n<p>Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>comunicacao@cfess.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda as mudan\u00e7as em jogo e como elas impactam na vida das pessoas e no trabalho de assistentes sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6620,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-4576","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4576"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4576\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}