{"id":4583,"date":"2024-11-18T14:00:00","date_gmt":"2024-11-18T14:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8090\/?p=3234"},"modified":"2024-11-18T14:00:00","modified_gmt":"2024-11-18T14:00:00","slug":"nota-de-repudio-do-cfess-a-decisao-do-stf-contra-o-servico-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cress-ba.org.br\/?p=4583","title":{"rendered":"Nota de rep\u00fadio do CFESS \u00e0 decis\u00e3o do STF contra o servi\u00e7o p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>O Conselho Federal de Servi&ccedil;o Social (CFESS), autarquia que orienta, normatiza e fiscaliza e orienta uma categoria de 240 mil assistentes sociais em todo o Brasil, vem a p&uacute;blico manifestar rep&uacute;dio &agrave; decis&atilde;o do Supremo Tribunal Federal (STF) de validar trecho da Reforma Administrativa de 1998 (Emenda Constitucional 19\/1998) que suprimiu a obrigatoriedade de regimes jur&iacute;dicos &uacute;nicos (RJU) e planos de carreira para servidores e servidoras&nbsp; da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica direta, das autarquias e das funda&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas federais, estaduais e municipais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A decis&atilde;o ocorreu no dia 6 de novembro de 2024, em julgamento da A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2135, no qual, por maioria de votos, o STF entendeu que n&atilde;o houve irregularidades no processo legislativo de aprova&ccedil;&atilde;o da emenda, tendo em vista que texto da EC19\/1998, &agrave; &eacute;poca, foi aprovado em dois turnos por 3\/5 dos votos na C&acirc;mara dos Deputados e no Senado Federal, conforme exige a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A decis&atilde;o do Supremo tem repercuss&atilde;o direta no regime de contrata&ccedil;&atilde;o de servidoras e servidores p&uacute;blicos, pois o texto original do artigo 39 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 previa que cada ente da federa&ccedil;&atilde;o (Uni&atilde;o, Estados, Distrito Federal e Munic&iacute;pios) deveria instituir, no &acirc;mbito de sua compet&ecirc;ncia, regime jur&iacute;dico &uacute;nico e planos de carreira para servidores e servidoras, unificando a forma de contrata&ccedil;&atilde;o (estatut&aacute;ria), e os padr&otilde;es de remunera&ccedil;&atilde;o (planos de carreira). A EC 19\/1998 alterou o dispositivo para extinguir a obrigatoriedade do RJU, possibilitando a contrata&ccedil;&atilde;o de pelo regime da Consolida&ccedil;&atilde;o das Leis Trabalhistas (CLT).&nbsp;<\/p>\n<p>A decis&atilde;o do STF tem efeitos para futuras contrata&ccedil;&otilde;es, sem a possibilidade de mudan&ccedil;a de regime de atuais servidoras e servidoras. Mas ela representa um desmonte para os servi&ccedil;os p&uacute;blicos, com especial repercuss&atilde;o nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e sociais, que j&aacute; sofrem com os ajustes fiscais da Emenda Constitucional 95 e do novo arcabou&ccedil;o fiscal, que t&ecirc;m implicado em diferentes formas precarizadas de contrata&ccedil;&atilde;o no servi&ccedil;o p&uacute;blico.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Servi&ccedil;o p&uacute;blico deve ser feito por servidoras e servidores p&uacute;blicos e com valoriza&ccedil;&atilde;o. Assim, a elimina&ccedil;&atilde;o da obrigatoriedade do Regime Jur&iacute;dico &Uacute;nico (RJU) compromete o princ&iacute;pio constitucional da isonomia, ao possibilitar tratamentos desiguais entre pessoas que exercem fun&ccedil;&otilde;es equivalentes na Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica Direta, aut&aacute;rquica e fundacional.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia vivida entre a promulga&ccedil;&atilde;o da EC 19\/1998 e a decis&atilde;o liminar do STF em 2007, que restabeleceu o RJU, demonstrou a inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica e o desordenamento institucional causados pela aus&ecirc;ncia de um regime unificado.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Com o julgamento da ADI 2.135\/DF, cada ente federativo retoma agora a liberdade para adotar regimes jur&iacute;dicos distintos &#8211; seja estatut&aacute;rio ou contratual &#8211; salvo para algumas situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, como as carreiras t&iacute;picas de Estado, que exigem o regime estatut&aacute;rio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, coexistir&atilde;o diferentes categorias de servidores e servidoras nas esferas federal, estadual e municipal, com regimes definidos conforme crit&eacute;rios legalmente estabelecidos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse cen&aacute;rio, novas pessoas admitidas sob o regime contratual, regido atualmente pela CLT, embora ingressem por meio de concurso p&uacute;blico, estar&atilde;o exclu&iacute;das de garantias fundamentais, como a estabilidade prevista para servidoras no art. 41 da CF\/88, a participa&ccedil;&atilde;o em planos de carreira destinados a servidoras estatut&aacute;rias e o acesso a um regime previdenci&aacute;rio pr&oacute;prio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Essas mudan&ccedil;as fragmentam os direitos da classe trabalhadora, contrariando ainda a inten&ccedil;&atilde;o original do constituinte de promover igualdade e estabilidade no servi&ccedil;o p&uacute;blico.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o regime estatut&aacute;rio &eacute; fundamental para o servi&ccedil;o p&uacute;blico, pois confere a servidoras e servidores a imparcialidade e a independ&ecirc;ncia necess&aacute;rias para atuarem em prol do interesse p&uacute;blico, sem serem vulner&aacute;veis a press&otilde;es pol&iacute;ticas ou pessoais de ocupantes transit&oacute;rios do poder.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A estabilidade e as prote&ccedil;&otilde;es desse regime preservam uma atua&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e legal, evitando inger&ecirc;ncias que possam desviar o foco daquela pessoa de seu compromisso com o bem comum e os princ&iacute;pios constitucionais que regem a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A defesa de concurso p&uacute;blico &eacute; bandeira de luta do Servi&ccedil;o Social encampada pelo Conjunto CFESS-CRESS para realiza&ccedil;&atilde;o de concursos para assistentes sociais. Afinal, trata-se de uma categoria que trabalha, em sua maioria no setor p&uacute;blico (cerca de 60%), pela efetiva&ccedil;&atilde;o dos direitos da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O trabalho de assistentes sociais nas pol&iacute;ticas sociais e nos servi&ccedil;os sociais onde atuam, juntamente com outras categoriais profissionais, possibilita viabilizar o acesso a direitos como sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, previd&ecirc;ncia social, assist&ecirc;ncia social, trabalho, entre outros.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Neste contexto, a defesa do concurso p&uacute;blico e a da manuten&ccedil;&atilde;o do regime estatut&aacute;rio s&atilde;o fundamentais para promover um Servi&ccedil;o Social organizado, afastando a profiss&atilde;o de pr&aacute;ticas voluntaristas, leigas irregulares e clientelistas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, o CFESS reitera seu rep&uacute;dio &agrave; decis&atilde;o do STF que valida a decis&atilde;o de um congresso conservador, anti-povo, que atua para um Estado numa l&oacute;gica m&aacute;xima para o capital e m&iacute;nima para a classe trabalhadora.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Conselho Federal de Servi&ccedil;o Social (CFESS)<br \/>\nGest&atilde;o&nbsp;<em>Que nossas vozes ecoem vida-liberdade<\/em>&nbsp;(2023-2026)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia o documento<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6632,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-4583","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4583","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4583"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4583\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}