{"id":4674,"date":"2025-06-26T15:10:00","date_gmt":"2025-06-26T15:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8090\/?p=3434"},"modified":"2025-06-26T15:10:00","modified_gmt":"2025-06-26T15:10:00","slug":"neste-dia-internacional-de-combate-a-tortura-voce-sabe-o-que-o-servico-social-tem-a-ver-com-isso-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cress-ba.org.br\/?p=4674","title":{"rendered":"Neste Dia Internacional de Combate \u00e0 Tortura, voc\u00ea sabe o que o Servi\u00e7o Social tem a ver com isso?"},"content":{"rendered":"<p>O Dia internacional de Combate &agrave; Tortura &eacute; celebrado em 26 de junho. Esta &eacute; uma data importante para o cotidiano profissional de assistentes sociais, n&atilde;o s&oacute; pelo compromisso &eacute;tico-pol&iacute;tico do Servi&ccedil;o Social na defesa intransigente dos direitos humanos, mas tamb&eacute;m porque h&aacute; um contingente significativo de profissionais que atua em institui&ccedil;&otilde;es de priva&ccedil;&atilde;o de liberdade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O CFESS comp&otilde;e o Comit&ecirc; Nacional de Preven&ccedil;&atilde;o e Combate &agrave; Tortura, colegiado composto por 23 institui&ccedil;&otilde;es, no qual est&aacute; representado pela conselheira do CFESS Elaine Amazonas e pelo assistente social e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) F&aacute;bio Simas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O Comit&ecirc; Nacional, orientado pela Lei Federal n&deg; 12.847\/2013, &eacute; um dos &oacute;rg&atilde;os integrantes do Sistema Nacional de Preven&ccedil;&atilde;o e Combate &agrave; Tortura (SNPCT) e tem como objetivo contribuir para o enfrentamento a viola&ccedil;&atilde;o de direitos em institui&ccedil;&otilde;es de priva&ccedil;&atilde;o de liberdade, como delegacias, penitenci&aacute;rias, locais de perman&ecirc;ncia para pessoas idosas e hospitais psiqui&aacute;tricos.&nbsp;Nesta quinta-feira (26), o Comit&ecirc; Nacional promoveu um evento em homenagem &agrave;s pessoas defensoras dos direitos humanos, com men&ccedil;&atilde;o especial &agrave; assistente social e ex-conselheira do CFESS Mauricleia Soares dos Santos, que faleceu em abril de 2025.&nbsp;<\/p>\n<p>Integrar o Comite Nacional de Preven&ccedil;&atilde;o e Combate a tortura &eacute; reafirmar o compromisso radical com a justi&ccedil;a social, democracia, a &eacute;tica e os direitos humanos, segundo Elaine Amazonas. &ldquo;&Eacute; reafirmar o compromisso &eacute;tico-pol&iacute;tico da profiss&atilde;o em uma sociedade punitivista, na qual pessoas, sobretudo economicamente vulner&aacute;veis e negras, s&atilde;o submetidas a pr&aacute;ticas de tortura em espa&ccedil;os como o sistema prisional, hospitais psiqui&aacute;tricos, comunidades socioeducativas e at&eacute; mesmo em comunidades terap&ecirc;uticas&rdquo;, afirma ela.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Importante destacar que a tortura n&atilde;o &eacute; exclusiva de regimes ditatoriais, como explica F&aacute;bio Simas. &ldquo;Cada dia, em especial nos locais de priva&ccedil;&atilde;o de liberdade,&nbsp;essa pr&aacute;tica pode acontecer e precisa ser abolida, luta na qual assistentes sociais t&ecirc;m um papel fundamental de forma &eacute;tica e respons&aacute;vel&rdquo;, acrescenta.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o Servi&ccedil;o Social tamb&eacute;m pode atuar fazendo den&uacute;ncias de viola&ccedil;&atilde;o de direitos, conforme preconiza o C&oacute;digo de &Eacute;tica da categoria, al&eacute;m da dimens&atilde;o &eacute;tico-pol&iacute;tica da profiss&atilde;o de ocupar espa&ccedil;os de combate &agrave; viol&ecirc;ncia institucional e de Estado.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E o exame criminol&oacute;gico?<\/strong>&nbsp;<br \/>\nDe acordo com Simas, os desafios para assistentes sociais s&atilde;o muitos no que diz respeito ao exame criminol&oacute;gico. Um deles se refere &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o da chamada &ldquo;Lei das Saidinhas&rdquo; em 2024, que, segundo o assistente social, constitui um retrocesso para assistentes sociais, ao tornar obrigat&oacute;ria a utiliza&ccedil;&atilde;o de um instrumento essencialmente punitivista na atua&ccedil;&atilde;o profissional da categoria.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Nossa categoria deve atuar com compromisso &eacute;tico-pol&iacute;tico, reafirmando sua posi&ccedil;&atilde;o contra o uso do exame como instrumento de puni&ccedil;&atilde;o e controle, e a favor da garantia de direitos e da justi&ccedil;a social. A luta &eacute; por uma atua&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica, fundamentada e comprometida com a radicalidade democr&aacute;tica&rdquo;, avalia Elaine Amazonas.&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, mesmo diante desse contexto, a Resolu&ccedil;&atilde;o 36 do Comit&ecirc; Nacional foi uma vit&oacute;ria, pois estabelece regras para o exame criminol&oacute;gico e, de certa forma, busca reduzir os danos das viola&ccedil;&otilde;es de direitos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Vale salientar tamb&eacute;m, de acordo com Elaine Amazonas, que, no exame criminol&oacute;gico assistentes sociais n&atilde;o fazem avalia&ccedil;&atilde;o de periculosidade, personalidade ou do comportamento dos sujeitos inseridos no sistema prisional, e sua atua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve ser um instrumento para limitar o acesso a direitos como a sa&iacute;da tempor&aacute;ria. Desta forma, a avalia&ccedil;&atilde;o deve ser pautada no contexto social e mediadas pelas rela&ccedil;&otilde;es de classe, ra&ccedil;a\/etnia e g&ecirc;nero.&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda sobre o assunto, o CFESS ingressar&aacute; com o pedido para se habilitar como&nbsp;<em>Amicus Curiae<\/em>&nbsp;(n&atilde;o &eacute; parte do processo, mas pode se manifestar para fornecer informa&ccedil;&otilde;es relevantes ao juiz sobre a mat&eacute;ria em quest&atilde;o) na A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n&ordm; 7663, que questiona a Lei 14.843\/2024, que alterou a Lei de Execu&ccedil;&atilde;o Penal (LEP) para proibir as sa&iacute;das tempor&aacute;rias de presos, popularmente chamadas de &ldquo;saidinhas&rdquo;, e tornar obrigat&oacute;ria a realiza&ccedil;&atilde;o de exame criminol&oacute;gico para a progress&atilde;o de regime de cumprimento da pena.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O Conselho Federal foca sua argumenta&ccedil;&atilde;o nos dois pontos centrais alterados na LEP: a previs&atilde;o de realiza&ccedil;&atilde;o indiscriminada de exames criminol&oacute;gicos para a progress&atilde;o de regime e a extin&ccedil;&atilde;o das sa&iacute;das tempor&aacute;rias para visita &agrave; fam&iacute;lia ou para participa&ccedil;&atilde;o em atividades que concorram para o retorno ao conv&iacute;vio social.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Campanha e v&iacute;deo sobre o tema<\/strong>&nbsp;<br \/>\nRecentemente, como parte da campanha de gest&atilde;o (2023-2026) &ldquo;Sou Assistente Social, Nossas Bandeiras Pulsam Liberdade&rdquo;, o CFESS lan&ccedil;ou um cartaz e um v&iacute;deo relacionados &agrave; atua&ccedil;&atilde;o da categoria no sistema prisional.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Com o mote criativo &ldquo;Nossa sa&iacute;da &eacute; pelo respeito e pela amplia&ccedil;&atilde;o de direitos&rdquo;, o material refor&ccedil;a que na forma&ccedil;&atilde;o em Servi&ccedil;o Social, as a&ccedil;&otilde;es ou condutas s&oacute; podem ser avaliadas a partir do contexto em que elas ocorrem, mediadas pelas rela&ccedil;&otilde;es de classe, ra&ccedil;a\/etnia e g&ecirc;nero. &ldquo;Assim, assistente social n&atilde;o faz avalia&ccedil;&atilde;o de periculosidade, de personalidade ou comportamento dos sujeitos inseridos no sistema prisional, muito menos para limitar o acesso aos direitos&rdquo;, diz trecho da pe&ccedil;a.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Para F&aacute;bio Simas, uma quest&atilde;o preponderante que se coloca &eacute; pensar o combate &agrave; tortura para al&eacute;m do aspecto penal, prevendo pol&iacute;ticas de preven&ccedil;&atilde;o, de repara&ccedil;&atilde;o, de assist&ecirc;ncia &agrave;s pessoas sobreviventes da tortura, pol&iacute;tica de mem&oacute;ria. &ldquo;At&eacute; porque as t&eacute;cnicas e pr&aacute;ticas de tortura praticadas hoje pelo Estado s&atilde;o herdadas principalmente da &eacute;poca da ditadura militar no Brasil. Ou seja, a transi&ccedil;&atilde;o para a democracia est&aacute; ainda inacabada e precisamos superar esta situa&ccedil;&atilde;o de forma efetiva e permanente&rdquo;, completa o assistente social.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Data de publica\u00e7\u00e3o: 26 de junho de 2025 Fotos: Rafael Werkema Cr\u00e9ditos: Diogo Adjuto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-4674","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4674\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}