{"id":750,"date":"2020-01-16T18:48:34","date_gmt":"2020-01-16T18:48:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8090\/?p=750"},"modified":"2020-01-16T18:48:34","modified_gmt":"2020-01-16T18:48:34","slug":"a-contrarreforma-da-previdencia-por-que-assistentes-sociais-devem-dizer-nao-a-pec-287","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cress-ba.org.br\/?p=750","title":{"rendered":"A contrarreforma da Previd\u00eancia: por que assistentes sociais devem dizer n\u00e3o \u00e0 PEC 287"},"content":{"rendered":"<h2>&nbsp;<\/h2>\n<p>Mudan&ccedil;as propostas pelo Governo Temer intensificar&atilde;o a mis&eacute;ria no pa&iacute;s ao atingirem n&atilde;o s&oacute; a Previd&ecirc;ncia, mas toda a Seguridade Social. Condi&ccedil;&otilde;es de trabalho da categoria v&atilde;o piorar<\/p>\n<p>*Publicado em 12\/12\/2016<\/p>\n<p>Est&aacute; no C&oacute;digo de &Eacute;tica da categoria: defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arb&iacute;trio e do autoritarismo; amplia&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o da cidadania, com vistas &agrave; garantia dos direitos civis sociais e pol&iacute;ticos das classes trabalhadoras; defesa do aprofundamento da democracia; posicionamento em favor da equidade e justi&ccedil;a social, que assegure universalidade de acesso aos bens e servi&ccedil;os relativos aos programas e pol&iacute;ticas sociais, bem como sua gest&atilde;o democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S&oacute; esses quatro (dos onze) princ&iacute;pios que fundamentam o exerc&iacute;cio profissional dos\/as assistentes sociais j&aacute; seriam bons argumentos para a categoria dizer n&atilde;o &agrave; contrarreforma da Previd&ecirc;ncia Social, apresentada na semana passada pelo Governo ileg&iacute;timo de Temer, que enviou ao Congresso Nacional no dia 6\/12 a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287\/2016 para alterar as regras de acesso aos benef&iacute;cios previdenci&aacute;rios. A proposta n&atilde;o &eacute; uma reforma, mas uma contrarreforma, j&aacute; que ataca e acaba com direitos conquistados a partir da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em meio a uma enxurrada de not&iacute;cias sobre o tema, muitas repletas de argumentos falsos, &eacute; preciso que a categoria se informe sobre esta proposta do governo que atinge os direitos de trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, entre essas, assistentes sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A previs&atilde;o para um futuro n&atilde;o muito distante &eacute; assustadora: o Brasil vai ter uma gera&ccedil;&atilde;o de pessoas que jamais se aposentar&atilde;o ou ter&atilde;o acesso a direitos. A mis&eacute;ria se intensificar&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso da categoria de assistentes sociais, al&eacute;m de sofrer todos os impactos da contrarreforma como classe trabalhadora, ainda vai ter que lidar, a partir do desmantelamento das pol&iacute;ticas sociais, com o desemprego e com o que o economista e professor da UnB, Evil&aacute;sio Salvador, chamou de gerenciamento da barb&aacute;rie. O que ocasionar&aacute;, inevitavelmente, como alerta assistente social do INSS de Maca&eacute; (RJ) Marinete Moreira, o adoecimento coletivo de assistentes sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso, &eacute; tarefa do Servi&ccedil;o Social brasileiro resistir &agrave; contrarreforma. Juntar-se a outros sujeitos coletivos, se mobilizar. E se utilizar de uma das principais ferramentas de trabalho da categoria, que &eacute; a informa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; fundamental que assistentes sociais se informem sobre o que est&aacute; em jogo no momento atual, para dialogar com quem mais ser&aacute; atingida pela regress&atilde;o de direitos que o Brasil vive, que &eacute; a popula&ccedil;&atilde;o mais pobre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Listamos aqui algumas das principais mudan&ccedil;as se a contrarreforma da Previd&ecirc;ncia Social for aprovada pelo Congresso e quais ser&atilde;o os impactos na classe trabalhadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para come&ccedil;o de conversa: n&atilde;o existe d&eacute;ficit da Previd&ecirc;ncia<\/p>\n<p>Antes de falar das propostas contidas no pacto de contrarreforma da Previd&ecirc;ncia Social, &eacute; preciso descontruir o principal argumento do governo, repetido &agrave; exaust&atilde;o nos &uacute;ltimos anos, para justificativa de desmonte da pol&iacute;tica: o tal &ldquo;d&eacute;ficit&rdquo; ou rombo previdenci&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista Evil&aacute;sio Salvador explica: &ldquo;o que existe &eacute; uma batalha de n&uacute;meros em torno da quest&atilde;o previdenci&aacute;ria. O governo mente para a popula&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o trata as informa&ccedil;&otilde;es sobre esta quest&atilde;o com a devida transpar&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em resumo, o professor da UnB entende que a quest&atilde;o do or&ccedil;amento da Seguridade Social passa por tr&ecirc;s pontos importantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro &eacute; o de que a Seguridade deveria ser financiada conforme preconiza o artigo 195 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, algo que, segundo ele, nunca aconteceu na pr&aacute;tica. Ou seja, do conjunto de receitas que deveria financiar a Seguridade, parte desse valor deixa de ser arrecadado e alocado na Seguridade em raz&atilde;o das isen&ccedil;&otilde;es fiscais para empresas e da Desvincula&ccedil;&atilde;o de Receitas da Uni&atilde;o (DRU), que autoriza os governos a usarem livremente parte da arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos e contribui&ccedil;&otilde;es em outras &aacute;reas ou para pagamento dos juros da d&iacute;vida p&uacute;blica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segundo &eacute; que a conta que o governo faz &eacute; falaciosa, j&aacute; que as receitas s&atilde;o subestimadas (pois n&atilde;o consideram as contribui&ccedil;&otilde;es sociais e tributos) e as despesas s&atilde;o inchadas, pois incluem gastos que deveriam estar alocados no or&ccedil;amento fiscal, conforme diz a Lei Or&ccedil;ament&aacute;ria Anual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O terceiro ponto tem a ver com a agenda pol&iacute;tica do governo brasileiro em transferir recursos do fundo p&uacute;blico ao capital financeiro, como os fundos de pens&atilde;o, rentistas, o que Evil&aacute;sio chama de &ldquo;classe de parasit&aacute;ria que vive de sugar o fundo p&uacute;blico&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) lan&ccedil;ou recentemente um v&iacute;deo did&aacute;tico que comprova que n&atilde;o existe d&eacute;ficit da Previd&ecirc;ncia Social, pelo contr&aacute;rio: que houve super&aacute;vits sucessivos nos &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; uma irresponsabilidade do governo em propor restri&ccedil;&otilde;es de acesso a direitos sem discutir de forma transparente os recursos previstos constitucionalmente para a Seguridade Social, sem discutir desonera&ccedil;&atilde;o da folha de pagamento pelo capital, sem discutir ren&uacute;ncias fiscais existentes no pa&iacute;s&rdquo;, enfatizou Marinete Moreira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o argumento do d&eacute;ficit desmascarado, e j&aacute; revelada a inten&ccedil;&atilde;o de privilegiar o mercado financeiro, &eacute; preciso listar as principais mudan&ccedil;as propostas pelo governo e os impactos na popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Veja a seguir:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ataque 1: Idade m&iacute;nima obrigat&oacute;ria de 65 anos, tanto para homens e mulheres, e aumento do tempo de contribui&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de 15 para 25 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A PEC proposta pelo Governo fixa uma idade m&iacute;nima de aposentadoria de 65 anos tanto para homens quanto para mulheres (que, atualmente, podem se aposentar aos 60). A nova regra valer&aacute; para mulheres com at&eacute; 45 anos e homens com at&eacute; 50 anos. A proposta diz que ser&aacute; preciso um m&iacute;nimo de 25 anos de tempo de contribui&ccedil;&atilde;o, sendo que, atualmente, o tempo m&iacute;nimo de contribui&ccedil;&atilde;o &eacute; de 15 anos para a aposentadoria por idade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a nova regra diz que o c&aacute;lculo do benef&iacute;cio (aposentadoria) passa a ser equivalente a 76% da m&eacute;dia salarial mais um ponto percentual por ano de contribui&ccedil;&atilde;o adicional (al&eacute;m dos 25 exigidos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O impacto<\/p>\n<p>Para se ter direito &agrave; aposentadoria integral (que ter&aacute; o valor da m&eacute;dia salarial ao longo dos anos trabalhados, n&atilde;o ultrapassando o teto do INSS) ser&aacute; preciso somar 49 anos de contribui&ccedil;&atilde;o. Ou seja, para se aposentar com 65 anos e ter direito ao benef&iacute;cio total,&nbsp; as pessoas teriam que come&ccedil;ar a trabalhar com 16 anos.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se uma pessoa estudou servi&ccedil;o social dos 18 aos 22 anos e come&ccedil;ou a trabalhar formalmente como assistente social aos 23, somente com 72 anos, se n&atilde;o houver nenhuma interrup&ccedil;&atilde;o no v&iacute;nculo empregat&iacute;cio, ela ter&aacute; direito &agrave; aposentadoria integral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A m&eacute;dia de vida da popula&ccedil;&atilde;o brasileira hoje &eacute; de 75,6 anos. Entretanto, se considerar a diferen&ccedil;a dessa m&eacute;dia por regi&atilde;o (por exemplo, no Norte &eacute; de 72,2 e no Sul &eacute; de 77,8), uma parte consider&aacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o brasileira morrer&aacute; sem fazer jus &agrave; aposentadoria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, em alguns munic&iacute;pios, esta m&eacute;dia &eacute; abaixo dos 65 anos, isto sem contar a quest&atilde;o das pessoas que trabalham no campo, em que a expectativa de vida costuma ser inferior aos 60 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;A proposta do governo &eacute; mortal e acaba n&atilde;o s&oacute; com a Previd&ecirc;ncia, mas toda a Seguridade Social&rdquo;, afirma a assistente social do INSS de Maca&eacute; (RJ), Marinete Moreira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso porque ao se aumentar para 25 anos a contribui&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria e estabelecer a idade m&iacute;nima de 65 anos, muitas pessoas n&atilde;o conseguir&atilde;o preencher os requisitos para aposentadoria, o que vai lev&aacute;-las a requerer benef&iacute;cios socioassistenciais, como o Benef&iacute;cio de Presta&ccedil;&atilde;o Continuada (BPC), que tamb&eacute;m passar&aacute; a ter regras mais r&iacute;gidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Soma-se a isso a privatiza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e o resultado ser&aacute; &ldquo;uma massa de pessoas pauperizadas sem ter perspectiva de acesso a qualquer direito da Seguridade Social: Previd&ecirc;ncia Social, Assist&ecirc;ncia Social e Sa&uacute;de&rdquo;, completa.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marinete Moreira ainda chama aten&ccedil;&atilde;o para a perspectiva negativa que a proposta do Governo Temer passa para as pessoas que, ao perceberem que ficar&aacute; mais dif&iacute;cil acessar o direito de se aposentar, n&atilde;o contribuir&atilde;o para a Previd&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;A tend&ecirc;ncia &eacute; o trabalhador ou trabalhadora que tem melhores condi&ccedil;&otilde;es busque planos privados de previd&ecirc;ncia. E o restante, a grande maioria, vai acabar utilizando de pol&iacute;ticas compensat&oacute;rias assistencialistas que, pelo teor da &lsquo;contrarreforma&rsquo;, n&atilde;o dever&atilde;o sequer garantir a sobreviv&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O professor da UnB Evil&aacute;sio Salvador chama aten&ccedil;&atilde;o para outra quest&atilde;o. &ldquo;Igualar a idade de aposentadoria para homens e mulheres &eacute; um absurdo completo, porque desconsidera a quest&atilde;o da tripla jornada das mulheres, a discrimina&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero e a desigualdade do mercado de trabalho para elas&rdquo;, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ataque 2: contribui&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria por 15 anos e idade m&iacute;nima de 65 anos para trabalhadores e trabalhadoras rurais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas regras atuais, trabalhadores e trabalhadoras rurais s&atilde;o segurados especiais e podem se aposentar aos 60 anos (homens) e 55 anos (mulheres). T&ecirc;m esse direito sem ter cumprido a exig&ecirc;ncia de contribuir com a Previd&ecirc;ncia por 30 anos (mulheres) e 35 anos (homens). Para se aposentar, o trabalhador ou trabalhadora rural precisa comprovar que atingiu a idade de aposentadoria realizando atividades no campo. Al&eacute;m disso, podem contribuir com uma al&iacute;quota sobre sua produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com as novas regras, a al&iacute;quota paga por estas pessoas ser&aacute; individual e obrigat&oacute;ria, e o trabalhador ou trabalhadora tamb&eacute;m precisar&aacute; ter, no m&iacute;nimo, 65 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O impacto<\/p>\n<p>De acordo com estudo da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), trabalhadores e trabalhadoras do campo come&ccedil;am sua atividade mais cedo, o que caracteriza a idade m&iacute;nima indistinta como mais um fator de injusti&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo a entidade, n&uacute;mero de pessoas no campo que come&ccedil;a a trabalhar antes dos 14 anos alcan&ccedil;a at&eacute; 78% dos homens e 70% das mulheres. Al&eacute;m de, normalmente, n&atilde;o haver formaliza&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o pessoas que, devido as condi&ccedil;&otilde;es extenuantes de trabalho, envelhecem precocemente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ou seja, trabalhadores e trabalhadoras rurais t&ecirc;m ainda mais risco de morrerem antes de conseguirem se aposentar.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A assistente social Marinete Moreira ainda avalia outros impactos.&nbsp; &ldquo;Sabemos que estes\/as trabalhadores\/as rurais come&ccedil;am suas atividades laborais muito cedo, &agrave;s vezes com 14 anos. E vemos hoje o sacrif&iacute;cio que &eacute;, com as regras atuais, para conseguirem se aposentar. A tend&ecirc;ncia &eacute; que essas pessoas, com as novas regras, n&atilde;o tenham mais acesso &agrave; Previd&ecirc;ncia e &agrave; Assist&ecirc;ncia, aumentando o processo de adoecimento e morte&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Evil&aacute;sio tamb&eacute;m comenta. &ldquo;&Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o repugnante esta proposta, dadas as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho no campo. Esses\/as trabalhadores\/as j&aacute; contribuem simbolicamente com um percentual sobre sua produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ataque 3: Benef&iacute;cios para pessoas deficientes e idosas de baixa renda n&atilde;o ter&atilde;o mais o valor de um sal&aacute;rio m&iacute;nimo e as regras dificultar&atilde;o o acesso<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pessoas benefici&aacute;rias da Lei Org&acirc;nica de Assist&ecirc;ncia Social (LOAS) e do Benef&iacute;cio Assistencial de Presta&ccedil;&atilde;o Continuada (BPC) poder&atilde;o receber um valor inferior ao sal&aacute;rio m&iacute;nimo, tendo em vista que o benef&iacute;cio n&atilde;o ser&aacute; vinculado mais a este valor, e sim definido em lei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, A idade m&iacute;nima para essas benefici&aacute;rias passar&aacute; de 65 anos para 70 anos, numa transi&ccedil;&atilde;o que durar&aacute; 10 anos para a nova idade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O impacto<\/p>\n<p>Atualmente podem receber o aux&iacute;lio\/benef&iacute;cio pessoas idosas a partir dos 65 anos com renda familiar per capita de at&eacute; 220 reais e tamb&eacute;m pessoas com defici&ecirc;ncia, ou seja, inferior a um 1\/4 do sal&aacute;rio. Se o BPC &eacute; um benef&iacute;cio que permite que essas tenham acesso a condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas de vida, o endurecimento das regras as deixar&aacute; mais vulner&aacute;veis e em situa&ccedil;&atilde;o de abandono do Estado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, como o valor n&atilde;o estar&aacute; vinculado ao sal&aacute;rio m&iacute;nimo, a pessoa benefici&aacute;ria poder&aacute; receber menos do que aquilo considerado o m&iacute;nimo para a sobreviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;A vincula&ccedil;&atilde;o do BPC ao sal&aacute;rio m&iacute;nimo &eacute; uma conquista hist&oacute;rica da pol&iacute;tica de Assist&ecirc;ncia Social. Este benef&iacute;cio faz a diferen&ccedil;a na vida de milh&otilde;es de usu&aacute;rios e usu&aacute;rias. Portanto, estas pessoa ficar&atilde;o &agrave; margem, pois sequer ter&atilde;o o m&iacute;nimo para sobreviverem&rdquo;, alerta a assistente social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marinete ressalta que a proposta do Governo &eacute; uma verdadeira afronta e tornar&aacute; a popula&ccedil;&atilde;o mais pauperizada, principalmente aquelas pessoas que tiveram sua vida laboral na informalidade. &ldquo;&Eacute; comum a gente atender pessoas que realizaram trabalho dom&eacute;stico a vida inteira sem v&iacute;nculo formal, e que necessitam do BPC por n&atilde;o terem completado os 15 anos de contribui&ccedil;&atilde;o para a aposentadoria. Imagina como vai ser agora?&rdquo;, questiona.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ataque 4: pens&atilde;o por morte<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O valor pago &agrave; vi&uacute;va ou ao vi&uacute;vo passar&aacute; a ser de 50% do valor do benef&iacute;cio recebido pelo contribuinte que morreu com um adicional de 10% para cada dependente do casal. As pens&otilde;es n&atilde;o ser&atilde;o mais vinculadas ao sal&aacute;rio m&iacute;nimo, mas num valor a ser definido por lei. S&oacute; receber&aacute; 100% da pens&atilde;o aquela pessoa que tiver cinco filhos. Al&eacute;m disso, o valor extra pago por conta do n&uacute;mero de dependentes n&atilde;o ser&aacute; agregado &agrave; pens&atilde;o no momento em que dependentes completarem 18 anos. Tamb&eacute;m n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel acumular esse benef&iacute;cio com outra aposentadoria ou pens&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O impacto<\/p>\n<p>Os valores da pens&atilde;o poder&atilde;o ser inferiores a um sal&aacute;rio m&iacute;nimo. Ou seja, nem o m&iacute;nimo para sua sobreviv&ecirc;ncia as fam&iacute;lias ter&atilde;o com a morte do trabalhador ou trabalhadora que era respons&aacute;vel pelo sustento familiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A conselheira do CFESS e assistente social do INSS de Jo&atilde;o Pessoa (PB), Raquel Alvarenga, ainda alerta: &ldquo;a pens&atilde;o por morte &eacute; um beneficio institu&iacute;do inicialmente para as mulheres e companheiras. A Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 abrangeu os maridos e companheiros e, mais recentemente, companheiras\/os das uni&otilde;es homoafetivas. A depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica do casal &eacute; presumida na legisla&ccedil;&atilde;o previdenci&aacute;ria e no C&oacute;digo Civil, ao vetar o acumulo dos ben&eacute;ficos, n&atilde;o se est&aacute; levando em considera&ccedil;&atilde;o a qualidade de vida constru&iacute;da anos a fio pelo casal, como tamb&eacute;m os gastos que s&atilde;o da fam&iacute;lia e n&atilde;o apenas de um membro. Ou seja, pior imposs&iacute;vel, pois al&eacute;m de perder um ente da fam&iacute;lia, ainda tem um rebaixamento no or&ccedil;amento dom&eacute;stico, o que rebater&aacute; inevitavelmente na qualidade de vida do vi&uacute;vo ou vi&uacute;va&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Regras de transi&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>Importante ressaltar que para todas as mudan&ccedil;as (inclusive as que n&atilde;o foram apresentadas aqui) haver&aacute; regras de transi&ccedil;&atilde;o, tanto para as mulheres com mais 45 anos e homens acima de 50 anos. O famoso &ldquo;ped&aacute;gio&rdquo; ser&aacute; cobrado e pessoas que se aposentariam em quatro anos, por exemplo, ter&atilde;o que trabalhar dois anos a mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mobiliza&ccedil;&atilde;o da categoria &eacute; fundamental<\/p>\n<p>&ldquo;A categoria de assistentes sociais &eacute; de vanguarda na luta por direitos&rdquo;, afirma Evil&aacute;sio Salvador, destacando o protagonismo do Servi&ccedil;o Social, juntamente com toda classe trabalhadora, na resist&ecirc;ncia contra a regress&atilde;o de direitos, como a contrarreforma da Previd&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marinete tamb&eacute;m faz um apelo neste sentido. &ldquo;As propostas do Governo golpista de Michel Temer s&atilde;o uma afronta e um desrespeito &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, que se sustenta atrav&eacute;s do seu trabalho, cada vez mais expropriado pelo capital. Assistentes sociais, como classe trabalhadora, t&ecirc;m que se organizar e resistir. &Eacute; preciso coletivizar as demandas individuais e dialogar com a popula&ccedil;&atilde;o usu&aacute;ria no sentido de mobiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos m&ecirc;s de novembro ocorreu uma s&eacute;rie de protestos e outras atividades contra as &uacute;ltimas propostas do Governo. O Conjunto CFESS-CRESS realizou a Mobiliza&ccedil;&atilde;o de Assistentes Sociais contra a Regress&atilde;o de Direitos, em todo o Brasil, no dia 30 de novembro, com ades&atilde;o de todos os Conselhos Regionais e apoio do CFESS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Nosso posicionamento &eacute; contr&aacute;rio &agrave;s contrarreformas do governo Temer. Por isso, precisamos fortalecer nossa unidade e debater o conte&uacute;do das contrarreformas em curso, de modo a contribuir para o aprimoramento do trabalho profissional de assistentes sociais junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o usu&aacute;ria&rdquo;, ressalta Josiane Soares, coordenadora da Comiss&atilde;o de Orienta&ccedil;&atilde;o e Fiscaliza&ccedil;&atilde;o do CFESS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O CFESS vem tamb&eacute;m produzindo uma s&eacute;rie de manifestos e notas contra o desmonte da Seguridade Social, que devem ser socializados com um maior n&uacute;mero de pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o d&aacute; para a categoria se informar e reproduzir o discurso da m&iacute;dia tradicional, que atua em favor do capital e do empresariado no Brasil. Assim, &eacute; preciso que assistentes sociais leiam o material que n&atilde;o s&oacute; o CFESS, mas o Servi&ccedil;o Social brasileiro vem produzindo, denunciando o desmantelamento das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e o esfacelamento dos direitos&rdquo;,&nbsp; enfatiza a coordenadora da Comiss&atilde;o de Comunica&ccedil;&atilde;o do CFESS, Daniela Neves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A coordenadora da Comiss&atilde;o de Seguridade Social, Nazarela Rego, faz um alerta. &ldquo;Ao longo dos seis meses deste governo, a Seguridade Social tem sido fortemente atacada, como estrat&eacute;gia para ampliar e socializar os custos da crise com a classe trabalhadora e refor&ccedil;ar as oportunidades de lucro para a burguesia. Em decorr&ecirc;ncia de todos esses ataques que atingem n&atilde;o s&oacute; a categoria de assistentes sociais, mas toda a classe trabalhadora, o CFESS continuar&aacute; encampando a campanha &lsquo;Nada a Temer&rsquo;, em defesa de Seguridade Social p&uacute;blica, estatal e universal&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o pr&oacute;ximo dia 13\/12 est&aacute; prevista outra grande mobiliza&ccedil;&atilde;o, em Bras&iacute;lia (DF), para tentar barra a vota&ccedil;&atilde;o em segundo turno pelo Congresso da &ldquo;PEC do Fim do Mundo&rdquo; (PEC 55\/2016).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como ocorreu no dia 29 de novembro, s&atilde;o os movimentos populares, movimento estudantil e centrais sindicais que est&atilde;o organizando este grande ato e &eacute; fundamental que a categoria participe. Importante lembrar que a PEC congelar&aacute; os investimentos sociais por 20 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.cfess.org.br\/visualizar\/noticia\/cod\/1327\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Site CFESS<\/a>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A contrarreforma da Previd\u00eancia: por que assistentes sociais devem dizer n\u00e3o \u00e0 PEC 287<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4215,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-750","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/750\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4215"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cress-ba.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}